22 de agosto de 2011

A criança de Huitzilopochtli

Ouvi outro dia mesmo, uma mãe perguntou para seu filho, já adolescente, o que queria estudar, essas coisas, e o menino: "quero estudar mecatrônica, para trabalhar na indústria bélica".
Ups.
Por que será que ele veio a querer isso? Porque os mais jovens entendem mais a época que se avizinha, como se viessem sintonizados com o porvir, ou será que o futuro é moldado pelos desejos deles, que o viverão?

Veremos o retorno do reprimido?
 De qualquer forma, parece que a indústria bélica vai continuar ganhando muito. Vi análises perfeitamente racionais, segundo as quais o momento faz relembrar 1929, e a reação na verdade insuficiente do New Deal. O ano de 1937 viu nova crise precipitar-se, a economia só voltou a crescer com a guerra, paradoxalmente.
Será essa tendência paradoxal das sociedades humanas, e das economias também humanas, um desejo de imitar na nossa patética escala humana a respiração cósmica de Brahma, que inclui a criação, o florescimento e a destruição de mundos? Ou será um movimento quase instintivo, a auto-destruição de uma espécie enjaulada, horrorizada ao olhar a volta e ver o mundo todo tomado por seus semelhantes?
Em todo o mundo, grupos políticos raivosos parecem dominar a política, mesmo à despeito da vontade popular, que assiste a tudo como que anestesiada, sem canais de expressão.
Sei não. Eu tenho filho pra criar, sai pra lá, Huitzilopochtli.


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