28 de abril de 2017

Dia da greve geral

Hoje é dia da greve geral no Brasil inteiro. Ontem a Rede Globo de Televisão, concessionária de televisão e monopolista do setor, ignorou o acontecimento em seu programa jornalístico noturno. Agora vem minimizando o tamanho da greve, em que a cidade parou. Nada funcionou. Todo o transporte público parado.
Sempre assinala que o "movimento" (nunca se fala "greve") é de "sindicalistas", palavra estigmatizada, como se fossem bandoleiros.
A luta contra a precarização total das relações de trabalho, contra a terceirização generalizada e contra o fim das leis trabalhistas tem seu maior inimigo na rede de tv que é o líder do governo no congresso.
Mas a corda está esticando, as pessoas vem percebendo o tamanho do estrago feito contra elas pelo governo do golpe; essa campanha sem trégua da globo vai erodir o seu poder, a sua capacidade de conduzir a opinião pública vai ficando minada, como mostra a rejeição total a Temer, o impostor golpista.

10 de dezembro de 2016

Manacá na janela


6 de abril de 2016

Os cães do ódio soltos pela rua

Rosnam, urram e babam, os cães do ódio pela rua uivam seu segredo sem pudor.

Sonho com a beira de um lago, o movimento das águas, e como perturbam esses cães, querem desfilar em suas calçadas imundas.

29 de novembro de 2015

Janelas

Dentro ou fora das janelas, chega das paisagens engarrafadas, vamos andar pela rua.

Vamos pelos espaços interditos, conversar com qualquer um, sobretudo os que não existem. Antes que diante dum espelho nada.

30 de maio de 2015

Retratos


19 de maio de 2015

17 de maio de 2015

Bucólica s/d

A nuvem se espalha

e consiste

a nuvem propõe um enigma

permanece

          sempre

                     mudança

Vem a olho nu

a nuvem alva,

desaba a borrasca,

avisa a nuvem do enigma

anti espelho

vis a vis
  mon coeur mis a nu 




16 de maio de 2015

Republicação - o texto fica mais atual com o tempo

De Lima Barreto, gênio pouco lido e menos ainda estudado 

Leia o original, que é muito melhor, na Brasiliana, daquele plutocrata judeu. 

São Paulo e os estrangeiros


Quando, em 1889, o Sr. marechal Deodoro proclamou a República, eu era menino de oito annos.

Embora fosse tenra a edade em que estava, dessa época e de algumas

anteriores eu tinha algumas recordações. Das festas por occasião

da passagem da lei de 13 de maio ainda tenho vivas recordações;

mas da tal historia da proclamação da Republica só me lembro

que as patrulhas andavam, nas ruas, armadas de carabinas e meu

pai foi, alguns djas depois, demittido do logar que tinha.

E e so.

Si alguma cousa eu posso accrescentar a essas reminiscençias

é de que a physionomia da cidade era de estupor e de temor.

Nascendo, como nasceu, dóm esse aspecto de terror, de vio-t

lertcia, ella vae aos poucos accentuando as feições que já trazia no

berço. *

Não quero falar aqui de levantes, de revoltas, de motins, que

são, de todas as coisas violentas da politica, em geral, as mais innocentes

talvez.,

Ha uma outra violência que é constante, seguida, tenaz e não

espasmodica e passageira como as das rebelliões de que falei.

Refiro-me á acção dos plutocratais, da sua influencia seguida,

constante, diurna e nocturna, sobre as leis e sobre os governantes,

em prol do seu insaciável enriquecimento.

A Republica, mais do que o antigo regimen, accentuou esse poder

do dinheiro, sem íreio moral de espécie alguma; e nunca os argentarios

do Brasil se fingiram mais religiosos do que agora e tiveram

da egreja mais apoio.

Em outras épocas, no tempo do nosso império regalista, sceptico

e voltereano, os ricos, mesmo quando senhores de escravos, tinham,

em geral, a concepção de que o poder do dinheiro não era

illimitado e o escrúpulo de consciência de que, para augmentar as

suas fortunas, se devia fazer uma escolha dos meios.

Mas veiu a Republica e o ascendente nella da politica de São

Paulo fez apagar-se toda essa. fraca disciplina moral, esse freio na

consciência dos que possuem fortuna. Todos os meios ficaram sendo

bons para se chegar a ella e augmental-a desmarcadamente.

Protegidos, devido a circumstancias que me escapam, por uma

alta fabulosa no preço da arroba de café, de que, após a Republica,

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os ricaços da Paulicéa se fizeram os principaes productores, puderam

elles melhorar os seus serviços públicos e ostentar, durante algum

tempo, uma magnificência que parecia fortemente estabelecida.

Seguros de que essa gruta alibabesca do café a quarenta mil reis

a arroba não tinha conta em thesouros, trataram de attrair para as

suas lavouras immigrantes, espalhando nos paizes de emigração folhetos

de propaganda em oue o clima do Estado, a facilidade de arranjar

fortuna nelle, as garantias legaies — tudo, emfim. era excellente

e excepcional.

A esperança é forte nos governos, quer aqui, quer na Itália

ou na Hespanha; e desses dois últimos paizes, em chusma, accorreram

famílias inteiras e milhares de indivíduos isolados, em busca

da abastança, que os homens do Estado diziam ser fácil de obter.

A gente que o vem dominando ha cerca de trinta annos ecthiase

de contentamento e até estabeleceu a exclusão, da sua-policia de

gente com sangue negro nas veias.

A producção do café, porém, foi transpondo o limite do consumo

universal e a descer de preço, portanto; e os dogés do Tietê

começaram a encher-se de susto e a inventar palliativos e remédios

de feitiçaria, para evitar a depreciação.

Um dos primeiros lembrados foi a prohibição do plantio de

mais um pé de café que fosse.

Esta sábia disposição legislativa tinha antecedentes em certos

alvarás ou cartas regias do tempo da colônia, nos quaes se prohibiam

certas culturas que fizessem concorrência ás especiarias da índia,

e também o estabelecimento de fabricas de tecidos de lã e mesmo de

officinas de artefactos de ouro para não tirar a freguezia dos do

reino.

Que progresso administrativo !

Os palliativos, porém não deram em nada e um judeu allemão

ou americano inventou a tal .historia da valorisação com que a gente

de S. Paulo taxou mais fortemente os agricultores e favoreceu os

grandes e poderosos, nas suas especulações.

A situação interna principiou a ser horrível, a vida cara, emquanto

os salários eram mais ou menos os mesmos anteriores O

descontentamento se fez e os pobres começaram a ver que, emquanto

elles ficavam mais pobres, os ricos ficavam mais ricos.

Os governantes do Estado, que influiam quasi soberanamente

nas decisões da União, deixaram de fazer a tal propaganda do Estado

no estrangeiro, mas augmentaram a policia, para a qual adquiriram

instructores e mortíferas metralhadoras e deram em excommungar

estrangeiros a que chamam de anarchistas, de inimigos da ordem

social, esquecidos de que andavam antes, a proclamar que a elegância

da sua capita), os seus lambrequins, as suas fanfreluches eram devidas

a elles, sobretudo aos italianos. A influencia dos estrangeiros,

diziam, fez de S. Paulo a única coisa decente do Brasil. E todos a

acceitaram porque os dominadores de S. Paulo sempre se esforçaram

por esconder as dilapidações ou coisas parecidas, convencendo


os seus patrícios de que o Estado, a sua capital, sobretudo, era coisa

nunca vista.

Não havia um casarão burguez com umas columnas ou uns

vitraes baratos, que elles logo não proclamassem aquillo, o castello

de Chenonceaux ou o palácio dos Doges.

Tudo o que havia em S. Paulo não havia em parte alguma do

Brasil. A sua capital era uma cidade européa e a capital artística

do paiz.

Entretanto, a antiga provincia não dava, a não ser o Sr. Ramos

de Azevedo, um grande nome ao paiz em qualquer departamento

de arte.

Não contentes de prodfcmar isto dentro do Estado, começaram

a subvencionar jornaes e escriptores de todo o paiz para espalharem

tão pretenciosas affirmações, que o povo do Estado recebia

como artigos de fé a fazer respeitar o "trust" político que o explorava

ignobilmente. "Vanitas vanitatum"...

Seguros de que a opinião os apoiava, porque tinham feito o

Estado o primeiro do Brasil, os políticos profissionaes de S. Paulo

trataram de abafar as criticas dos estrangeiros descontentes ou com

opiniões avançadas, a todos, emfim, que não se deixavam embair

com a tal historia da capital artística e cidade européa.

Os estrangeiros, agora, já não serviam e elles queriam livrar-se

do incommodo que os forasteiros lhes davam criticando-lhes os actos,

a sua cupidez, o esquecimento dos seus deveres de governantes

para só protegerem os ricaços, os monopolistas, que eram também

estrangeiros, mas não no ponto de vista do governo estadpal, que só

julga assim aquelles que não partilham a opinião de que elle é o

mais sábio do mundo e affirmam que, em vez de estar fazendo a felicidade

geral, está concorrendo para .enriquecer os seus filhos, seus

genros, seus primos, seus netos e afilhados e os plutocratas ávidos.

Trataram logo de se armar de leis que fizessem abafar os

seus gemidos ; uma dellas é a celebre de exportação que não se

coaduna com o espirito da nossa Constituição; que é inconseqüente

com a propaganda feita por nós para attrair estrangeiros, que podem

e-devem fiscalisar as nossas coisas, pois nós os chamamos e

elles suam por ahi. -

, Sem mais querer dizer, podemos af firmar que todo o nosso mal

estar actual, todo o cynismo dos especulado/es com a guerra, inclu-

. sivel Zé Bezerra e Pereira Lima, vêm desse, maléfico espirito de

cupidez de riqueza com que S. Paulo infecciònou o Brasil, tacitamente

admittindo não se dever respeitai qualquer escrúpulo, fosse

dessa ou daquella ordem, para obtel-as, nem mesmo o de levar em

conta o esforço, a dignidade^e o trabalho dos immigrantes, os quaes

só lhe servem quando curvam a cerviz á sua deshumana ambição

chrematistica.

•1917.

13 de maio de 2015

Mínima


Odara

Odete

Se deste

Tomara

que kaya

na lata de goiabada
   de marmelada 
     de quase quem sabe quem saiba o quê?

Sidere

de saia

Se deram 

Na sala
  um rabo de arraia    
     bandeira na praia 
         que eu quero te pegar você

O - o - o - o  

Odete

Ou deite...







5 de maio de 2015

O que foi Etemenanki

Assim houve um dia que a raça dos homens decidiu alcançar o céu, e uniram-se aos Gigantes nesse tarefa; empilharam, despudorados, montanhas sobre montanhas, e o Ida sobre o Ossa, o Ossa sobre o Pélias, e o Pélias sobre o Ararat, e de forma que já viam os deuses a chegada do impudente torre à orbe celeste; "tal não pode ser" era o murmúrio entre os imortais, e o deus do raio lançou sobre eles sua lança flamejante; nada detinha a raça dos homens em seu insensato desidério. Já havia inquietação entre os imortais, quando o Espírito, entre os ventos da tormenta, enviou seu sopro e naquele momento os homens não conseguiam compreender a fala dos outros, ouviam suas palavras mas já não as entendiam; a discórdia resultante destinou sua louca empresa ao fracasso. Sobraram montes de pedras na orgulhosa Babel.  


16 de abril de 2015

Que o barraco caia

Tudo indica que tudo ainda há de piorar muito antes de melhorar.

Então que caia o barraco, e o vento não me chateie.

19 de janeiro de 2015

São Paulo suicida

A seca de S. Paulo se aproxima de um momento trágico, em que todo o sistema Cantareira vai secar; quando isso acontecer, os milhões abastecidos de água por esse sistema estarão condenados a ficar sem uma gota, nem o racionamento será possível.
E seguimos todos anestesiados, sem reaçáo, esperando a catástrofe certa; igualmente anestesiado estão os líderes constituídos, o maior esforço do governador é tentar se dissociar do problema, uma vez que negá-lo ficou difícil, foi obrigado a isso.
Por que então empurrar tanto com a barriga? O palpite de O Grifo è que o uso da água vai ficar muito mais caro a partir desse episódio traumático. Essa motivação é a mais plausível. Veremos.