24 de novembro de 2008

Extração de sumos

Com uma prensa hidráulica pensei certa vez em extrair sumos, resumos de obras grandes que me desanimam só de olhar. Tenho lá escondido em meu barraco n-ésimos volumes da Summa Theologica, a gente pôs em pilha e baixou a prensa em cima. O caldo recolhido é o extrato mais puro daquele papelório. O suco era escuro, espesso, parecia purê de beterraba, mas sem nenhum açúcar.
Outros calhamaços terão sabores diferentes. Em busca do tempo perdido imagino que tenha sabor de água de laranjeira, amêndoas, madeira e panos velhos; a Comédia deve lembrar carne cozida, vinho e azinhavre. Desconfio que do Código Civil extrairíamos um xarope com gosto de óleo de rícino, ferro moído e tomate.
O Ênio pretende extrair o sumo da Constituição Federal, ele diz que Se prenssássemos a Constituição extrairíamos um sabor fantasia de democracia, igualdade e justiça social, flavorizados idênticos ao original. O problema, caro Ênio, é que o livro é fininho, adptar-se-ia mal à minha prensa hidráulica. Mas a gente poderia pensar em fervura, ou outro método para extrair o sumo.

2 comentários:

Enio de Freitas disse...

Se prenssássemos a Constituição extrairíamos um sabor fantasia de democracia, igualdade e justiça social, flavorizados idênticos ao original.

Anônimo disse...

Não só livros, que tal extrair sumos de, digamos, monografias, teses, cartas? Tenho a certeza que resultariam coisas, ah, orgânicas...