24 de setembro de 2010

Furo de reportagem d´O Grifo

Ontem à tarde, cochilando em nossa redação (?!?), recebo de repente em plena testa potente pedrada, que me atingiu depois de estilhaçar o vidro da janela.
Bilhete anônimo enrolado na pedra: ah, penso comigo, esses meus informantes até me agridem, no afã de ver triunfar a verdade!
Aproveitando a ausência do Grifo, publico a nota na íntegra:
"Estive hoje, disfarçado de garçom, em casa de pasto de altíssimo luxo nesta capital, onde ouvi em primeira mão informações relevantes, em uma mesa que reuniu, em um almoço, MMe. XXXX e outros discretos comensais, todos controladores de veículos de comunicação. Soube ali das primorosas peças de nossa imprensa patriótica para os fins de semana próximos, antes da eleição:


Notícias devastadoras!

1 – Dilma é lésbica, afirma a pobre seduzida pela búlgara perniciosa, que com ela viveu em contubérnio pecaminoso por anos e anos, e a quem prometeu o céu meu bem, e o meu amor também, e a quem deixou, vilipendiada, maltrapilha e esfaimada.

2 – Dilma é assassina, afirma antigo militante da VPR do B (uma organização terrorista ultra-secreta, cujos membros não conheciam um ao outro), é um testemunho importante, Dilma teria chacinado companheiros num aparelho, certo dia, em acesso de TPM. Todos estavam vendados, para que não pudessem reconhecer um ao outro. Intervém depoimentos inclusive do além, por médium de reputação ilibada e reconhecido nacionalmente.

A primeira será a bala de prata, a segunda o tiro de misericórdia. O tiro 2 deve ser dado 5ª ou 6ª, para melhor repercussão.

Arriba com a imprensa patriótica e imparcial! D José já ganhou!"
 
PS - Fui punido pelo Grifo por esta publicação, depois que ele voltou de seu sejour em Bassorá. Tenho de alimentar os animais das masmorras. Isso é um absurdo, uma afronta à liberdade de informar da imprensa. E ainda me fez, a cruel criatura, indicar uma publicação séria sobre o assunto: esta.
 

10 de setembro de 2010

O Noêmio, então, quem diria, pode até ser um cara legal



Noam Chomsky - este era linguista, tornou-se uma espécie de profeta na política, e em ambas as áreas cercou-se de acólitos que não permitem a crítica, que é vista imediatamente como uma forma de profanação a ser combatida. Pode ser coincidência. Ou, como diria G. Gil, não.
Outro dia, estive no blog do Nassif, e teci um comentário em um post sobre Chomsky. Foi a senha para um ataque em bloco; alguém sugeriu que eu "ficasse em meu blog". Vou acatar. Outro disse que eu era Reinaldo Azevedo. Epa, ai não meu chapa, tu não é macho de falar isso na minha cara, foi o que tive vontade de dizer. 
Bem, mas meu problema com Noam Chomsky remonta aos dias longínquos de minha graduação em letras. Sintaxe; a sintaxe era trincheira de Chomsky, e a professora logo avisava.
Fazíamos análise sintática e testávamos hipóteses; no entanto, apenas os nomes das categorias pareciam diversos, porque as relações entre as partes eram estranhamente parecidas, para não dizer que eram iguais. Exceto que desenhávamos diagramas para a análise de frases, em que as unidades eram decompostas, e se chamavam "sintagmas". Diagramas em árvore.
Tive a ingenuidade de perguntar à minha professora qual a diferença entre a análise sintática que tinha aprendido nas antigas gramáticas da escola daquela análise "gerativista-transformacional". A mera pergunta, disse ela, era sinal que eu não estava entendendo nada. Não teve a fineza de me explicar a diferença, contudo; até hoje me pergunto por quê.
Mas o que se há de fazer? Provavelmente tudo isso dever-se-ia à minha própria burrice, que não alcanço as elocubrações do cientista, e faria melhor estando calado. Depois, conversando, ao fim do curso, começo de pós graduação, com os colegas que iam se aventurar nessa área comuniquei minha impressão; ah, responderam, é que você só vai entender a gramática gerativa transformacional no mestrado. E olhe lá.
Ah bom. Deve ser por isso. De qualquer modo, como além de burro sou tinhoso, havia lido os Aspectos da Teoria da Sintaxe e alguma outra coisa. Daí, resumindo, aprendi que a linguagem é uma faculdade inata do ser humano, uma propriedade da mente. Não há ser humano sem linguagem. A verdadeira análise sintática deveria chegar ao imo da estrutura das línguas, de uma tal forma que se veria evidente a estrutura subjacente de todas as línguas, que nada mais seria que a tal faculdade inata do homem, a linguagem ipsa.
Dito isso, a verdadeira análise sintática era, naturalmente, a sintaxe ensinada por Chomsky, dita gerativa-transformacional. Ocorre que, para se chegar a esta estrutura subjacente, seria necessário seguir um programa rigoroso, de análise de quantas línguas fosse possível, sob o modelo gerativo, que logo teríamos uma descrição precisa da capacidade da linguagem. Nada menos. Assombro. Aplausos gerais. Modelo preciso, positivista. As experiências explicarão a natureza da linguagem.
Passaram-se mais de cinquenta anos, e tal não sucedeu. Óquei. Sacudir a poeira.
Sacudiram, o pessoal da gerativa; soube que havia "novas formulações" - da mesma teoria. Got to keep the franchise moving. A teoria não estava "errada". Ela simplesmente havia sido reformulada. A diferença é sutil - tão sutil que chega a me escapar em alguns momentos. Outro dia, alguém me explicou que uma destas reformulações é que a natureza da mente e a linguagem são uma e a mesma coisa. Uau. Não há nada a explicar. Agora, devíamos ter lido Meister Eckhart, em vez de perder nosso tempo com Aspectos da Teoria da Sintaxe.
Não sei se com tudo isso Chomsky ainda é reverenciado nas faculdades de letras. Desconfio que sim, pela reação do pessoal que leu um comentariozinho meu no Nassif. E então? Bem, eu indicaria Meister Eckhardt aos alunos, a natureza da linguagem é outra coisa, meus caros. Essa é uma crítica que há tempos queria fazer; tem também a política. Não é por isso que a gente deixa de ver em Chomsky um americano que fala de política externa sem paternalismo com os não-americanos, sem considerar os outros povos como naturalmente sujeitos ao destino manifesto da América do Norte. Dando uma olhada na rede antes de escrever isso, vi o quanto o velho Chomsky tem de aguentar em seu país por dizer o que acha em política. Que os EUA têm interesses e movem guerras por causa deles. Que a mídia manipula as consciências. Fatos que para nós são corriqueiros, entre os conterrâneos lá dele são causa de escândalo. Como acusar de anti-americano pode soar outdated, ele é ridicularizado. Já dizia meu titio, Deus o tenha, que os EUA são um país fascista, isso nos early sixties.
Então? Isso: concordemos e discordemos do velho Chomsky, cuja filiação mais antiga era a cabala (seu pai era rabino); não é necessário aniquilar nem endeusar o Noam; aliás, de preferência nunca fazer isso com ninguém. Quem diria, ainda finalizo com uma moral, hein?



9 de setembro de 2010

Indignação requentada

O sigilo (sugerimos um adesivo oportunista: "eu acredito em sigilo fiscal e bancário") tem sido elevado à categoria de senha do golpe. Vejam os amigos que a tal "violação eleitoral" já era conhecida e não causava tanta espécie há pouco tempo atrás ao próprio José Serra. Está nesta matéria do SBT, atenção ao trecho a 2´40" - Vejam.

O Grifo nem aprecia Dilma Roussef tanto assim. Mas esses factóides já estão enojando. O tal do "clima eleitoral" é pior do que a seca aqui em São Paulo. Atenção aos golpistas, aos que querem cruzar o Rubicão - não tem caminho de volta.

7 de setembro de 2010

Grave Gripe Agrária Agrava a Regressão

Agro, grimpo a grua de grande agrimensura. Ogros regressam de angras e grutas: É GRAVE. Gripe agrária agrava grande agressão. Regrido.

6 de setembro de 2010

Serviço de alto falantes da praça da Matriz d´O Grifo

Recebemos em nossa redação (?!!?) grandes contribuições, que publicaremos, não sem antes terem passado pelo crivo do nosso crítico, Honorino Palhares, a quem criamos no quintal da redação, com as cautelas de praxe. São contribuições do Ricardo, meu irmão, e do Carlos Ângelo, também conhecido como Benedito.
São textos, os arquivos podem ser baixados:


JOCA                                                                                                          A Próxima Novela das Oito


Mais um serviço de utilidade pública d´O Grifo.

23 de agosto de 2010

O eleitor, esse desonesto, tem de provar sua identidade ao Estado de boa-fé

Serviço Público d´O Grifo:

Este ano, para votar (obrigatoriamente), teremos de levar (obrigatoriamente) um documento com foto, além do título de eleitor, que é também, me parece, obrigatório.
Quem tem o azar de ler este blogue sabe que quero tanto vontar contra Serra que vou levar RG, CPF, Carteira de Habilitação e de Trabalho. Penso em levar também exame de sangue.

Obrigatoria, quer dizer, atenciosamente,
Grifo


20 de agosto de 2010

Bandeira Paulista

Você é paulista?


Clique aqui!

19 de agosto de 2010

A caverna do sono

Dorme, dorme meu bebê
o sono é uma caverna
sem paredes
A rua insone de carros quer dormir.
Nossa casa acorda à noite, as escadas conversam,
silentes de dia, quando então dormem.
E eu sonho com seu sono
Dorme dentro do violão a música
que toca no teu sonho,
um acalanto
com que eu sonho
pra você dormir.

11 de agosto de 2010

Der Leone Has Sept Cabezas

Eu querer ser seu Presidente, pero yo non falar seu língua...
È vero...

6 de agosto de 2010

A história verídica

Caríssimos, não sabemos ao certo o que acontece hoje, ontem, há 15 minutos, tal o tumulto que ante nossos olhos se agita nos meios de massa, ao alcance da mão, prenhe de irrelevâncias. Ótimo, aproveitemos para entender melhor os últimos milênios.
Rudolf Steiner, no interessante e às vezes impenetrável A Ciência Oculta relata que, na época atlante, o ser humano tinha a capacidade de mudar de forma gradativamente, conforme seus desejos e volições. Muitos daqueles adquiriram formas grotescas, disformes, pela amplitude de seus desejos. Talvez pudessemos dizer que a matéria era muito rarefeita em espírito, naquele tempo.
Adquiriram grande poder, e estavam unidos como o povo do oráculo de Vulcano. Outros oráculos havia, e Steiner lembra o de Apolo, que não é o posterior, de Delfos. E ainda o do Sol, e outros.
Trabalhavam a matéria, e estavam interessados em fabricar artefatos. Steiner, vidente, dizia ter acesso aos arquivos acásicos da tradição hermética, ou a Crônica de Akasha, espécie de backup cósmico.
Agora, a ligação é evidente com o mito de Hefesto, ou Vulcano. Disforme, o deus é manco, diz-se que por sua mãe o ter atirado das alturas do olimpo até Lemnos, onde está o Etna, seu vulcão. Ferreiro, forja os artefatos dos deuses, como o carro de Apolo e os raios de Zeus. São vários os paralelos.
A capacidade de agir sobre a matéria desses associados a Vulcano levou à destruição de Atlântida, segundo Steiner. Este passo não aparece no mito.
O culto aos deuses dos gregos históricos é posterior a Atlântida. Mas o relato de Steiner esclarece vários detalhes do mito que são estranhos. Por exemplo, sua atração pela matéria levou à deformidade física. E outras.
O aspecto mais enigmático do mito de Vulcano é que se trata de um deus corno. Sendo horroroso, tinha Vênus como mulher. Ela, no entanto, pulava a cerca com Ares, o deus dos generais e das batalhas. Certo dia, Vulcano aprisiona os dois na cama, em flagrante, com uma rede da qual não conseguem se livrar. Vai o deus e os expõe aos demais imortais. Este aspecto nem Steiner explicou.
E então? Bem, tenho para mim que estas histórias merecem mais crédito do que os relatos que ouvimos, qur lemos, realidades muito mais relevantes do que as ninharias com que querem nos encantar.

4 de agosto de 2010

Não toquem na Rádio Cultura

O desmonte da TV Cultura está anunciado;  é preciso tentar proteger a preciosa Rádio Cultura, emissora que transmite uma programação incrível, e que me ensinou muito. Ouço já tem bem uns 30 anos e não me canso. E já faz tempo que você não precisa morar em São Paulo ou adjacências para ouvir, com a internet.

Vejam um programa como este, sobre Bach e sua família, por exemplo. É isso que essa gente, que julga que o patrimônio do Estado é de seu usufruto,  quer destruir. Chega dessa espoliação, os tucanos tornaram-se uma dinastia odiosa no Estado de São Paulo. Querem tirar Bach do ar.

Já no governo Alckmim algum jênio andou mexendo por lá, com uma programação mais "acessível", só tocavam árias de ópera italiana e o Quebra Nozes o dia inteiro, pois o povo é idiota na concepção dos tucanos, que só olham o espelho. Chega. Esse 3 de outubro está demorando demais a chegar.


3 de agosto de 2010

As companhias alegres e as nem tanto

O Grifo achou que o blog estava meio grave, taciturno, e ordenou a mim, que vivo em suas catacumbas, que fizesse qualquer coisa mais leve.
Então eu li no jornal os arrotos do governador Requião, sobre as companhias do pobre Ronaldo, que além de estourar os joelhos tem de aguentar os males do Brasil. E encomendei a montagem abaixo ao depto. de arte.
Rrrrrrrrrronaldo, cuidado com as companhias.