19 de março de 2009

Índio


Julgamento sobre reserva indígena, julgamento político; o ministro usa frase de efeito: segundo o Estadão, "Marco Aurélio afirmou que ´a demanda dos índios é por postos de saúde e não por pajés´".
Os índios hão de querer seus pajés; mas querem sem dúvida posto de saúde, moto e TV. Querem explorar a riqueza do subsolo. O índio só pode ter futuro com capacidade e cidadania plenas. A bolha cultural sem contágio com a sociedade branca não é possível.
A aquisição da ´dupla cultura´, com uma nacionalidade só, a brasileira, esse deveria ser o papel da FUNAI, mesmo porque se for feita a absorção de todos os indígenas em estado cultural originário de uma vez só vai ser um genocídio.
Para preservar o índio, é preciso aculturá-lo, no tempo do índio, não no do branco.

17 de março de 2009

Sabedoria não tem idade

Eplimpedes, o sábio grego do séc III aC, já recomendava o vinho, moderadamente, e as ostras, para rejuvenecer os órgãos internos.

Ali Abusamra, notável polígrafo árabe, relatou o efeito benéfico das pérolas nos casos de reumatismo.

Dyastrashamsharya, brâmane ilustre, dormiu sete dias seguidos, em Mandralapayam.

Leitura interessante

texto interessante sobre a política no BR, desdobramentos públicos e outros nem tanto.

http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/03/17/o-sistema-brasileiro-de-inteligencia-e-o-jogo-politico/

12 de março de 2009

Excomunhão, porque não?

Notícias daquele bispo do Recife indigente espiritual a gente leu até demais. Agora, essa me tinha escapado... engraçado como a repercussão é desporporcional. Pensando bem, às vezes a excomunhão há de ser um santo remédio, deve ser mais usado. Se bem que às vezes também seria bom, só pra garantir, sentar o turíbulo na cabeça do indivíduo pra ver se se apruma.

Grave regressão do Grifo

Então, como eu ia dizendo, ficou o Grifo encarapitado no muro lá de casa, impassível mesmo diante da chuva e do vento, assustando os gatos e fazendo as velhas que passam na calçada traçar o sinal da cruz. Nem comigo falava.
- Que é que há, ô Grifo?
- ...
- Mas...
E só cedeu quando lhe ofereci marzipan e chá de ameixas.
- Bem.. tenho uma imagem que não sai da minha cabeça... a bust of Pallas...
- Meu Deus, meu caro Grifo, deixa isso prá lá, a literatura...
- Rá, olha quem fala, grunhiu o ser biforme; - Ouça lá, humano: mais pior...
Indizível minha comoção; cãimbras corticais começaram...

oh, o que poderá acontecer a seguir???

6 de março de 2009

Ditadura

Dentadura
Branda
Escura

Murro nos dentes

Casa sem gente

Gente sem dente, a gente é fraco cai no buraco

Fundo

Escuro

Mas - quem matou mais gente?

Ditadura esclarecida.
um claroescuro sob medida:

Cada um com o despotismo que merece.

Augusto Rademaker Grunewald; o nome do sujeito já era uma junta militar (Almirante Augusto, Brigadeiro Rademaker, General Grunewald - acho que li isso em algum lugar). A queda atávica pelo pau-de-arara deve vir também do escravismo (não veio tudo?). O Nho-nhô de Sade das senzalas.

A participação social é intolerável para a elite nacional, incapacitada para a política depois de ganhar o país no colo. No fim do Império já estava estabelecida a órbita, essa é a direção que a elite do Brasil deseja, tem ânsia - para onde se voltar, a quem obedecer, a quem servir. O retorno do reprimido, o duplo no espelho: o masoquista da Casa-Grande.

A órbita do mundo vai mudar, o capitalismo financeiro balança feio. E a elite nacional está insegura, a participação popular parece mais ameaçadora com o império em tumulto, na metrópole. Isso não tem a menor graça.

Presidindo o conselho de anciãos, José Sarney. Deve ser outra forma do retorno do reprimido, mas aí já é demais pra mim.

27 de fevereiro de 2009

A volta do Grifo

O Grifo reapareceu lá no meu cafofo; veio voejando de nor-nordeste, e, depois de descrever uma trajetória elíptica, pousou sobre o muro de casa, quase firme depois das chuvas.



- Epa, seu Grifo, quem é vivo, hein?

- Olá, meu caro ser humano; como ides, seu Gomide? (não se pode exigir coerência dos animais de fábula; eu não me chamo Gomide.)

- Cuidado com esse muro, Grifão, tá meio bambo e o barranco não segura.

- Ahã, soube outro dia que esperto é quem fica em cima do muro. Almejo a esperteza humana, que vê virtudes na contradição.

- Olha lá, tá falando que nem doutor, hein?



Fui interrompido pela bicada bestial do grifo no ar. O grifo come mosquitos? Nem sei, deixei o bicho lá, e até agora ficou. Assusta todos os gatos do bairro, esse bicho esquisito sobresito por lá. Tocar o grifo? Sei não.

20 de fevereiro de 2009

Quem mandou ler jornal?

No Brasil, o governo militar foi uma "ditabranda", segundo a Folha de São Paulo. O que é que tem uma ditadura benigna, até boazinha?
Não teve PARA-SAR, o Estado não matou cidadãos considerados crimonosos sem o devido processo, não teve choque elétrico, tortura ou pau de arara.
Ou, se teve, não importa. A Folha vai corajosamente assumir seu apoio à ditadura de 64, assim como corajosamente posou de paladina das Diretas, ainda antes do cadáver da dita cuja esfriar.
E hoje ainda chama de cínicos leitores que escrevem em protesto; o professor Fábio Konder Comparato só pode criticar a Folha se antes abjurar o regime cubano. O que é que tem a ver com as calças?
Que nojo, Folha de São Paulo; assumam a cagada que fizeram, e depois disso FECHEM ESSE PASQUIM RIDÍCULO E VÃO GANHAR A VIDA HONESTAMENTE, SEUS BOÇAIS!!!!

17 de fevereiro de 2009

Ensignância

Ensenhança

ensinança de Anunciação:


o Signo

em plena Signância

Qualquer Consciência -

Mera Semelhança

Cadê

Onde estão as Notícias Populares que não mandam mais notícias?

12 de fevereiro de 2009

Índice de mentiras

Compulsados a compilar um índice de mentiras, os autores declinaram, diante das versões´em conflito de seus informantes.

3 de fevereiro de 2009

Críptica

Quis um dia exercer a crítica
com a lança da verdade,
com o ferro da ironia,

um a um
derrubei
os moinhos
e o vento.

As palavras, os sentimentos, esses canalhas,
nada sobreviveu a esse torto olho sínico
ruíram grandiosos edifícios, pedra e pedra.

Na poeira, me pergunto em voz alta :
não é que era mesmo
a liberdade um jugo
e vice versa?