16 de julho de 2008

O Futuro de uma Ilusão

Artigo interessante no Observatório da Imprensa, questão de fundo no cenário do escândalo atual, o do banco Opportunity (occasio facit furem) (http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=494JDB007).
O caráter ficcional do dinheiro vai ficando claro. Dinheiro é uma crença, um pacto mútuo, um símbolo, uma liguagem que se desgasta; um dispositivo útil que ultrapassou sua finalidade, e foi entronizado.

A derrocada da estratégia dos bancos centrais é o plano geral da derrocada menor do banqueiro Daniel Dantas. Ambos são frutos legítimos de uma mesma ordem econômica, pautada na financeirização global, em que o capitalismo perde suas bases na produção, para fincá-las na especulação.
Veja o caso brasileiro: do total da renda nacional, 70% são rendimentos do capital; 30%, apenas, correspondem aos ganhos dos salários, segundo pesquisa anunciada pelo economista nacionalista Márcio Porchman, do IPEA. Claro, 30% dos salários não são suficientes para remunerar 70% do capital. Este, por isso, descola-se da produção para a especulação. Precisa esquentar dinheiro.

Infelizmente não entendo de economia, mas a circulação de moeda parece ser como a circulação de palavras, baseadas na crença comum do valor. Bens e trabalho estão hoje perdendo o vínculo com a realidade do dinheiro. O capitalismo financeiro tornou-se independente dos bens reais, das coisas. Parece evidente que haverá uma crise em que o caráter ilusório da moeda há de se revelar.

8 de julho de 2008

Leminski

Paulo Leminski
Pulo à Lemingue
sky
abismo mais fundo
o céu

27 de junho de 2008

Hoje o centenário de Guimarães Rosa

Hoje, 27 de junho de 2008, centenário de nascimento de João Guimarães Rosa, o maior escritor do Brasil.
Dia de ler Guimarães Rosa; hoje, e todo dia.

Para quem não tiver um livro à mão, tem Sagarana:

http://www.4shared.com/file/8508849/9edde404/Sagarana_Guimares_Rosa.html

24 de junho de 2008

Medo

Muito mais fácil é a toda hora do medo. Os olhares mudos avisam, inumanos. Controle mútuo, silencioso, eficiente. A racionalidade não pode nada contra o medo, que paralisa.
E todo dia estamos presos a ele, afastamos quem recusa seu golpe de agulha. O medo, a baba bovina do medo, a que Nelson Rodrigues se referiu - "estamos todos esperando o rapa"; estamos mesmo. Qualquer dia nos revoltamos se ele porventura não passar. A gente mesmo passa.

12 de junho de 2008

Grupo GR

Grifo, o grande, agradeçe as graças agradáveis,

e as graves negras íntegras do grupo.

Gravames e vinagres, alegrias e agrados,

jograis gritados por ogros ágrafos.

Angras, gretas na crosta incongruente,

O regresso agridoce dos degredos.

27 de maio de 2008

O barril de Amontillado

É título de um grande conto de Edgar Allan Poe, the cask of Amontillado. Muito bom mesmo; no entanto, até agora não sabia o que é o Amontillado. Aprendi que é um vinho de Jerez, denominação de origem controlada na Europa, e que esses vinhos são diferentes, parece que passam por um processo de destilação. De Jerez vem a denominação sherry.
O Vinho de Jerez é diferente porque, após a fermentação, é adicionado conhaque. Aliás, o destilado de vinho conhecido como conhaque é só um subtipo de brandy produzido na região de Cognac. Aprende-se muitas coisas com a internet.
Vejam, soube também que em Portugal há um brandy com denominação de origem, na cidade de Lourinhã.
E assim, ainda preciso provar desse Amontillado, porque dizer que é um tipo de Vinho de Jerez não quer dizer nada, ou xerez. Justamente, como diz o personagem Fortunato, a quem o narrador atrai inevitavelmente para uma armadilha, "Lucchesi não sabe distinguir Amontillado de sherry." Continuo sem saber o que é Amontillado. Aceita-se doação de garrafas.

26 de maio de 2008

Coiote.

No regrets, Coyote. O som de Joni Mitchell (Hejira) faz lembrar que Roberto Freire morreu, foi por um caminho além dos que conheceu por aqui, e forma tantos. Foi traçar novo Paebiru.
veja
http://www.caminhodepeabiru.com.br/ (clique em "o caminho")

31 de março de 2008

Fim do romance

Bem, faz tempo que não escrevo nada, e vou encerrando o assunto do livro de Monteiro Lobato. Tem coisas interessantes de a gente ver nesse o presidente negro. Na raiz do argumento está a crença de que a divisão racial nos Estados Unidos só faria crescer em mais de 200 anos, levando a uma sociedade radicalmente segregada. O feminismo também foi antecipado, como uma caricatura de certa forma. E o progresso da civilização industrial no rumo da transmissão intangível de informações - por rádio, foi o meio que Lobato imaginou- bem, essa é a antecipação mais fantástica desse romance.
Tudo isso aconteceu? Não; ninguém usa HAL 9000, mas nem por isso é menos admirado Arthur Clarke. Assim também Lobato, que escreveu essa grande obra de antecipação na década de 1920. Também imaginou uma sociedade que evoluiu para desconcentração urbana, tendo os meios para isso, coisa que não aconteceu. Vale a pena ler o livro de Lobato.

8 de fevereiro de 2008

mais do romance de Lobato, de 1926

O interessante para nós que o livro antecipa, como em Wells ou Júlio Verne, esse acontecimento da eleição dos estados unidos; no século 23, na eleição do presidente norte americano, disputam um candidato dos homens, e um das mulheres, que rejeitam a idéa de que homens e mulheres pertençam à mesma espécie. Os dois candidatos cortejam o líder dos negros, Jim Roy, que hesita em declarar apoio até o último minuto, quando, em um movimento surpreendente, declara-se candidato, e ganha a eleição.
Tudo isso é relatado por Miss Jane a Ayrton, embevecido, babando pela moça. Ainda há muita coisa interessante no livro, como o futuro da eugenia, as transmissões de informação à distância instantaneamente (vg internet), por "rádio". em outra postagem continuo.

22 de janeiro de 2008

o presidente negro

O argumento do romance O Presidente Negro vai assim: o narrador, Ayrton, é um sujeito simples, que trabalha a para firma de Sá, Pato & Cia. Observa de longe a riquiza alheia, admira e teme os donos da firma, e tem seus palpites no mercado financeiro. Deseja demais ter um carro, com o qual possa esmagar os pedestres, gritando "Arreda!".
Certo dia, um conhecido lhe aponta, dentro de uma agência bancária, certo senhor - é o professor Benson, e segundo o outro consegue ganhar sempre no câmbio, prevê a valorização e a desvalorização das moedas.
Vai um dia Ayrton afinal consegue o carro, um Ford, e sai pelas ruas a buzinar, acelerado. Na firma, ganha aumento, faz os patrões verem que impressiona ter um empregado com automóvel - o romance é de 1926.
Então, certo dia, é enviado para Friburgo, em incumbência do trabalho, e vai com seu Ford, numa estrada péssima de início, trilha de carroças. De repente, vê-se em uma bela pista, e pisa fundo no acelerador, apreciando a linda paisagem montanhosa. Sofre um acidente, perde a consciência e seu amado Ford. Quando acorda, está diante do professor Benson, o do banco.
Revela-se então que o professor Benson é um velho sábio que vive recluso - ayrton lembra-se do capitão Nemo - com sua bela filha Jane, cuja beleza perturba o narrador. O ancião conseguiu construir um aparato que lhe permite ver o futuro e o passado, pois que ambos nada mais são do que consequências determinadas pela vibração do éter - o romance é de 1926 - o princípio ou unidade fundamental da matéria. Conhecendo e captando por antenas semelhantes a teias de aranha tais vibrações, soube o professor calcular os movimentos futuros do éter, ou seja, o estado do mundo e tal ou qual ponto futuro - ou passado. Tais momentos se lhe aparecem num globo chamado de cronoscópio. Tudo isso revela ao apatetado Ayrton, reconhecidamente ignorante, de poucos estudos, modesto caixeiro, porque vê que está perto da morte, tem a necessidade de contar a alguém a sua invenção, que não deixará para a humanidade, e respeita o Acaso, que é como um Deus, e lhe trouxera até ele.

9 de janeiro de 2008

Ars longa vita brevis

Com as eleiçoes prévias para a escolha dos candidatos a presidente nos EUA, cabe lembrar de novo como a vida imita a arte. Monteiro Lobato escreveu na década de 1920 o romance "O Presidente Negro", estória situada no futuro, e justamente o presidente do título era o dos EUA, no século 23.
A previsão chegou antes; vou ler esse livro de Monteiro Lobato, agora que o negro Obama vai bem nas prévias. Depois escrevo alguma coisa.

4 de janeiro de 2008

O grifo engripa

Engripado, o grifo agradece a graça
alcançada, com um erro crasso.