13 de maio de 2013

Fabula narratur


O dia em que as máquinas falarem, e os algoritmos contarem histórias de enredo
envolvente e vendável, emocionante porém sem tocar o fundo da alma de ninguém,
que esse negócio de alma é polêmico, e melhor ficar cada um no seu canto,
mesmo com suas manias e principalmente com suas manias, seus pretextos alvo do controle social
eficiente como as máquinas que vomitam histórias e imagens,
nesse dia, meu bem,
minhas histórias perderão qualquer coerência que nunca tiveram,
e os produtores do cinema americano que contrataram os descendentes de Propp por um caminhão de dinheiro - eles têm uma máquina de dinheiro lá, e as tais impressoras 3D - para analisar as constantes da narrativa, os motivos
the homeric licks
não vão perceber, na linha de produção,
mas
os símbolos terão caído, os signos estarão doentes da inflação, a paródia será sintoma,
o texto que ainda não surgiu será parodiado,
escarnecido,
dissecado sob as luzes do campo de concentração,
da ignorância e da estupidez que grassam sempre no eterno campo de concentração
e nenhuma história terá mais sentido;
estaremos em silêncio meu bem, talvez uma cantiga de roda
ou ainda mais antiga história de bichos que falam
restará sendo contada em nossa mente, em nossa alma,
até quando outra história for contada.
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