18 de junho de 2013

O Tiozão da manifestação

Estive ontem em um pedaço da manifestação que andou por toda cidade. Da Faria Lima à Água Espraiada, subindo pela Santo Amaro em direção à Paulista. Um pedaço mesmo, caminhei um pouco com o pessoal. O que vi: pessoal jovem em absoluta maioria. Eu era um tiozão obviamente. O tiozão da manifestação. Entrei na fila na Água Espraiada, abaixo da Avenida Portugal, dobrei a Santo Amaro e fui até Moema, de onde voltei a pé, ainda mais que sem um puto no bolso, só com chaves e o telefone, nem o busão a 3,20 poderia pegar. Conversei com uns e outros. O que ouvi: resistência aos partidos, embora tenha visto uma bandeira (pequena) do PSTU. Era muita gente, como todos já sabem. Uma moça me disse: "A Dilma tá perdida. Nós não vamos eleger a Dilma". Alguns têm consciência do peso político. Uma pessoa mais da minha faixa etária engatou um papo comigo, vendo que eu andava puxando conversa. Disse que a manifestação era sobre tudo, era contra o Mensalão, contra a corrupção, a amante do Lula. Aquela Rosimeire. E percebo que sou irremediavelmente irônico. Eu era realmente um estranho na tal manifestação. 
Av. Santo Amaro, perto do viaduto da Bandeirantes
Vamos a meus pensamentos sobre ela, porque é disso que estou escrevendo: muita gente já disse, o foco está disperso, tem muita gente oferecendo bandeira ao movimento. PEC 37, copa do mundo, cadeia para os "mensaleiros" - esta, sugestão do comandante da PM. Existe um desejo de unidade das pessoas e uma pluralidade de intérpretes do movimento, ouvi uma jornalista hoje, falando desde os EUA, dizendo que o movimento era isso e aquilo. Ora, minha senhora, se a gente aqui não sabe...
Os partidos perderam o bonde, obviamente, da representação. E essa manifestação é um esboço sem jeito de uma maneira qualquer de ter representação política. Não me sai da cabeça também a velha paranóia, de que o movimento tem maior organização do que quer aparentar. Pra dizer de uma vez, o medo do golpe. 
Depois, em casa, assisti com a Sandra os dois representantes do Passe Livre no Roda Viva, bons, bem articulados, mantendo o foco na redução da tarifa de ônibus. 
O F2, que é das internas nesse negócio de anarquismo, mostra que tem um pessoal muito puto com o escamoteamento do conflito na manifestação de ontem. Não deixam de ter certa razão. Por outro lado, a quem interessa a desestabilização, qual o fruto maduro pra ser colhido se essa árvore for chacoalhada? Tem sempre raposas espertas prontas a tirar proveito da radicalização. Enfim, muita incerteza, e alguma estranheza num movimento que, mesmo nas internas, debate-se tentando entender a que veio. 

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