19 de dezembro de 2011

O fim de alguma coisa

Hoje de manhã esbarro inesperadamento com o Grifo, o que sempre é assustador, dado que ele tem mais de 3 metros de altura.
Foi na Boca, nas cercanias da rua Vitória; Ó Grifo, perguntei, o que fazes por aqui?
Disse o monstro que cuidava duns assuntos. Não insisti.
Algo está para acabar, disse de repente com voz sibilina; mas o que, Grifo, vai acabar?
Em tom profético, o Grifo disse gravemente:
- A Copa do Mundo do Brasil marcará o fim do futebol brasileiro como referência em arte e cultura de massa. O Jogo irá perder um dos encantos. Depois serão outros jogos os preferidos, talvez essa matança de que as pessoas gostam, esse combate cruel de vale-tudo.
- Você diz a última febre, o aclamado Ultimate Fighting? Nada mais chique, meu caro Grifo, no meu tempo tínhamos a Múmia contra Fantômas, nem sabíamos como éramos declassées...
Nem ouviu o Grifo ao meu comentário atualizado, o Grifo quando em transes proféticos não é um conversador agradável.
- Pois digo que em 1950 o Brasil perdeu a Copa, e  depois tornou-se o dono do Jogo, o Mestre; agora, ainda mais se ganhar essa Copa, então veremos a decadência final do futebol brasileiro. Mas se perder também. Se bem que o demônio da simetria esconde-se nos desvãos da história. Mais dez anos e nenhuma criança quererá jogar bola no quintal.
- Mas já jogam só no videogame, ô Grifo, ia eu dizendo, quando a ave levantou súbito vôo.
Já estávamos perto da cracolândia, ninguém deu importância ao fato do animal alado sair voando assim sem mais. Só eu que o xinguei em silêncio.
Depois fiquei embatucado com o tom profético do Grifo. Será que a ave monstruosa teria razão, no final?

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