29 de maio de 2009

A máquina paródica do Grifo - II


resumo do capítulo anterior: o Grifo possui uma máquina paródica!



Aquela preocupação com a máquina do grifo naturalmente foi cedendo seu lugar a outras, como costuma acontecer; o gás, a poluição, o tempo que muda, a taxa de juros, nosso time, quantas mais? Até que dobrei uma esquina e precebi que de cima de um telhado o Grifo me espreitava com um sorriso no bico. Ai, a multímoda criatura, pensei, e lá estava ele diante de mim, abanando as asas. - Olá, meu amigo humano. Como vai? - Assim, assim, meu caro Grifo. E você? - Ah, meu chapa, minha máquina é fantástica! Vamos até lá, vou te mostrar o que ela é capaz de fazer. Ainda nem cheguei aos limites dela... - Mas Grifo, eu estou indo ao banco, logo ali, pagar minhas contas. - Ah, os negócios humanos! Sempre as preocupações mais irrelevantes... A criatura estava totalmente absorvida pela máquina. Eu me lembrei do que pensara sobre a máquina, aquela sensação estranha de não saber o que era efeito da máquina e o que não. Mas, rá, o hábito de rir das preocupações iria falar mais alto. - Bem, Grifo, o banco é logo ali... - Nem se fala mais nisso. Vamos logo ao banco, e depois faço questão que você vá ver minha máquina. Fica difícil negociar com um animal que quando abre as asas tem uma envergadura de mais de cinco metros. Enquanto eu discutia com o gerente, o Grifo descansava entre as gárgulas da fachada. Logo depois estávamos voando, eu montado na coluna do Grifo e o animal impávido pelo ar, rumo aos arrabaldes da cidade, onde o Grifo mora.


continua...
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