13 de abril de 2011

Paisagem Sem Vista

Manhã na cidade,
passa um homem,
andando
Passa um carro
andando
Passa um mundo de carros,
um mundo de gente,
e os ônibus cheios de gente
e de todo lado vai andando gente
daqui pra cá, e pra toda parte
sem conta,
e nos prédios se apinham
gente sobre gente
sem conta
e depressa
E a prosa não tem rumo, não tem prosa
espremida entre quatro paredes, entre as portas dum carro,
as perguntas não têm resposta, a prece muda e morta do rádio
nos guia às cegas pelos escombros baldios,
e as avenidas largas, maiores que as de babilônia,
levam aos desvãos mais escuros e mortos, sem remédio
aos becos sinistros de poeira, restos e graxa,
aos baixios do glicério onde a cidade que existe
nem se esconde, existe escura e sob a camada de luzes, cores sobre cimento das construtoras que querem normalizar o ambiente
queremos estas quadras sem rumo
mais prédios de gente
sem conta
e depressa
e seremos outros tantos
como nós
e os becos escuros existirão noutra parte
como nós
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