29 de janeiro de 2009

Com fumaças de profeta

O dinheiro tem valor simbólico apenas. Devemos ver, meus amigos, a circulação de moeda em analogia à circulação de símbolos, de palavras. Ferdinand de Saussurre já antecipava esse passo nalgum trecho de seu Curso. A linguagem e os símbolos em geral, permitimo-nos com eles jogos e ironias e auto referência. Testar limites. Com o dinheiro não, o dinheiro é sacrossanto, com ele nada além do sentido literal mais estrito, dizem. Tanto que a epítome da loucura, no refrão popular, é rasgar dinheiro.
Chega o dia, no entanto, em que o caráter meramente simbólico do dinheiro deve ser escancarado a todos, soa a hora dessa crença universal. Esse será o sentido ulterior das revoluções e tumultos na economia financeira de hoje, gerados justamente pela atividade irrefreada e delirante dos moedeiros falsos, sumos sacerdotes do dinheiro. Observai a complementaridade dos movimentos contrários. No próprio centro do capital financeiro o gênio foi tirado da garrafa, evidenciou-se que o dinheiro é tratado pelos seus criadores como símbolo, eles agem com liberdade em relação a ele, como criadores; nós, aqueles que trabalhamos em troca de dinheiro, que guardamos e pensamos nele pelo menos uma vez por dia, nós somos os escravos do dinheiro, ele fala por nós, subordinamos nossos desejos e crenças a ele. Entendamos de uma vez por toda que como toda linguagem o dinheiro depende da crença mútua da coletividade.
Não custa, caros amigos, dar uma força ao inevitável devir histórico: o mais sensato agora é rasgar dinheiro ou cunhar moeda às próprias custas. Moeda falsa? Olha quem fala!! Sejamos todos banqueiros!
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