Hoje de manhã esbarro inesperadamento com o Grifo, o que sempre é assustador, dado que ele tem mais de 3 metros de altura.
Foi na Boca, nas cercanias da rua Vitória; Ó Grifo, perguntei, o que fazes por aqui?
Disse o monstro que cuidava duns assuntos. Não insisti.
Algo está para acabar, disse de repente com voz sibilina; mas o que, Grifo, vai acabar?
Em tom profético, o Grifo disse gravemente:
- A Copa do Mundo do Brasil marcará o fim do futebol brasileiro como referência em arte e cultura de massa. O Jogo irá perder um dos encantos. Depois serão outros jogos os preferidos, talvez essa matança de que as pessoas gostam, esse combate cruel de vale-tudo.
- Você diz a última febre, o aclamado Ultimate Fighting? Nada mais chique, meu caro Grifo, no meu tempo tínhamos a Múmia contra Fantômas, nem sabíamos como éramos declassées...
Nem ouviu o Grifo ao meu comentário atualizado, o Grifo quando em transes proféticos não é um conversador agradável.
- Pois digo que em 1950 o Brasil perdeu a Copa, e depois tornou-se o dono do Jogo, o Mestre; agora, ainda mais se ganhar essa Copa, então veremos a decadência final do futebol brasileiro. Mas se perder também. Se bem que o demônio da simetria esconde-se nos desvãos da história. Mais dez anos e nenhuma criança quererá jogar bola no quintal.
- Mas já jogam só no videogame, ô Grifo, ia eu dizendo, quando a ave levantou súbito vôo.
Já estávamos perto da cracolândia, ninguém deu importância ao fato do animal alado sair voando assim sem mais. Só eu que o xinguei em silêncio.
Depois fiquei embatucado com o tom profético do Grifo. Será que a ave monstruosa teria razão, no final?
19 de dezembro de 2011
12 de dezembro de 2011
Ode à burrice
Tenho estado farto dos bem aventurados, dos iluminados, daqueles que acreditam em sua própria voz sem duvidar por um instante que seja. Tenho estado farto daqueles que querem me convencer, com ou sem tapinha nas costas, que o melhor é ceder minha carteira, eles têm certeza do caminho, prometem novo dia desde que acreditemos, desde que tenhamos a cartilha e saibamos entoar a melodia do coro dos contentes. Estou muito puto com os indignados que desfilam sua coreografia enquanto outros passam a mala preta entre a assistência satisfeita; estou por aqui com quem conta estórias róseas e arrota moralidades brandas, ao agredir com o que tiver na mão quem quer que pergunte afinal, para que tal espetáculo grotesco?
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29 de novembro de 2011
PM: o Perigo Moral
Instituição podre, a quintessência da PM, que recruta entre as classes mais baixas da sociedade, é ser anti-povo.
O Povo quando se manifesta é reprimido pela PM.
O criminoso quando comete seus crimes pode obter a cumplicidade da PM. Basta que entre em um acordo razoável.
A Polícia Militar do Estado de São Paulo é o sintoma mais visível de que o Estado Brasileiro nasceu e criou-se para dominar e reprimir seu povo, não como instrumento de defesa e crescimento do povo e da nação brasileira, mas como instrumento para a pilhagem do país e a intimidação do povo.
Nem o exército brasileiro tem mais esse viés, acredito, pois há muito entre os altos oficiais ficou patente que do dever de defender a Pátria decorrem certas consequências políticas incontornáveis.
Mas a PM em São Paulo cotidianamente pratica a TORTURA e agride ao povo.
E há políticos nefastos que orgulham-se de aparelhar o serviço público de São Paulo com o autoritarismo, a ignorância e a brutalidade dos coronéis da PM, que têm uma virtude que agrada sobremaneira aos políticos mais torpes: sabem por instinto de que lado está o poder, e sabem intimidar aqueles a ele contrários.
O Povo quando se manifesta é reprimido pela PM.
O criminoso quando comete seus crimes pode obter a cumplicidade da PM. Basta que entre em um acordo razoável.
A Polícia Militar do Estado de São Paulo é o sintoma mais visível de que o Estado Brasileiro nasceu e criou-se para dominar e reprimir seu povo, não como instrumento de defesa e crescimento do povo e da nação brasileira, mas como instrumento para a pilhagem do país e a intimidação do povo.
Nem o exército brasileiro tem mais esse viés, acredito, pois há muito entre os altos oficiais ficou patente que do dever de defender a Pátria decorrem certas consequências políticas incontornáveis.
Mas a PM em São Paulo cotidianamente pratica a TORTURA e agride ao povo.
E há políticos nefastos que orgulham-se de aparelhar o serviço público de São Paulo com o autoritarismo, a ignorância e a brutalidade dos coronéis da PM, que têm uma virtude que agrada sobremaneira aos políticos mais torpes: sabem por instinto de que lado está o poder, e sabem intimidar aqueles a ele contrários.
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23:59
22 de novembro de 2011
Comitê de defesa da revisão de textos
Ai meus tempos de copidesque...
Importante "portal noticioso" (?!?) (fecha a porteira, iaiá...) publica como título de notícia o seguinte:
"Governador deve participar da Marcha Paulista em Defesa dos Municípios, no qual Serra faltou em 2009"
Qual será a referência da expressão "no qual"?
a) Governador
b) Defesa
c) Municípios
d) Serra
e) n.d.a.
Importante "portal noticioso" (?!?) (fecha a porteira, iaiá...) publica como título de notícia o seguinte:
"Governador deve participar da Marcha Paulista em Defesa dos Municípios, no qual Serra faltou em 2009"
Qual será a referência da expressão "no qual"?
a) Governador
b) Defesa
c) Municípios
d) Serra
e) n.d.a.
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00:15
21 de novembro de 2011
11 de novembro de 2011
A prisão de um empresário de sucesso
O setor econômico que mais irriga a corrupção do Estado é o tráfico de drogas. Exatamente porque depende da complacência do agente público para continuar a existir; a polícia conhece os pontos de venda de droga. A polícia conhece o distribuidor. A polícia conhece o atacadista e o produtor.
Mas sabe agir na repressão ao consumidor individual. Até na universidade, como vimos.
Num certo sentido, faz lembrar o sistema tributário brasileiro; sem ironias, mostra muito bem o funcionamento da nossa sociedade. A ação deletéria para o povo, o coméricio de drogas, é levada a cabo com a cumplicidade do Estado, que é pilhado e invadido pelo poder da corrupção.
O único a sofrer sanção no processo é o povo, na pessoa dos compradores, usuários de droga, que não são párias; esses são reprimidos ocasionalmente, para mostrar que aqui a lei é cumprida.
O confisco de 50% do faturamento supera qualquer alíquota existente no Brasil.
A legalização é a única saída, antes que os próprios agentes públicos (será que já não aconteceu?) tomem a frente e posicionem-se como os próprios responsáveis pelo negócio.
O comerciante de drogas ficará sujeito a todas as posturas e regulamentos possíveis, e recolherá o devido aos cofres públicos, não alimentará a cadeia da corrupção. Leiamos a notícia:
"Num longo depoimento na sede da Polícia Federal na madrugada de quinta-feira, acompanhado por um grupo restrito de policiais federais, o traficante Antônio Bonfim Lopes, o Nem, chefe do tráfico na Rocinha, preso na quarta-feira na Lagoa , afirmou que metade de tudo que faturava com a venda de drogas era entregue a policiais civis e militares da banda podre. A propina gorda seria entregue a numerosos agentes públicos. O traficante deu detalhes, inclusive datas, de casos de extorsão. Ainda no depoimento, o criminoso afirmou que, devido às constantes extorsões, em alguns períodos seu faturamento era zero. Segundo algumas estimativas da Polícia Civil, não confirmadas no depoimento, o bandido faturava mais de R$ 100 milhões por ano.
- Metade do dinheiro que eu ganhava era para o "arrego" (gíria para propina) - afirmou Nem.
O secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, disse em entrevista ao "RJ-TV", da TV Globo, que gostaria muito que Nem falasse mesmo o que sabe, por conhecer "a arquitetura do tráfico de drogas e como são os meandros da corrupção".
Evidente que o ilustre Nem, empresário bem sucedido, não poderá falar mais de 20% do que sabe.
Mas sabe agir na repressão ao consumidor individual. Até na universidade, como vimos.
Num certo sentido, faz lembrar o sistema tributário brasileiro; sem ironias, mostra muito bem o funcionamento da nossa sociedade. A ação deletéria para o povo, o coméricio de drogas, é levada a cabo com a cumplicidade do Estado, que é pilhado e invadido pelo poder da corrupção.
O único a sofrer sanção no processo é o povo, na pessoa dos compradores, usuários de droga, que não são párias; esses são reprimidos ocasionalmente, para mostrar que aqui a lei é cumprida.
O confisco de 50% do faturamento supera qualquer alíquota existente no Brasil.
A legalização é a única saída, antes que os próprios agentes públicos (será que já não aconteceu?) tomem a frente e posicionem-se como os próprios responsáveis pelo negócio.
O comerciante de drogas ficará sujeito a todas as posturas e regulamentos possíveis, e recolherá o devido aos cofres públicos, não alimentará a cadeia da corrupção. Leiamos a notícia:
"Num longo depoimento na sede da Polícia Federal na madrugada de quinta-feira, acompanhado por um grupo restrito de policiais federais, o traficante Antônio Bonfim Lopes, o Nem, chefe do tráfico na Rocinha, preso na quarta-feira na Lagoa , afirmou que metade de tudo que faturava com a venda de drogas era entregue a policiais civis e militares da banda podre. A propina gorda seria entregue a numerosos agentes públicos. O traficante deu detalhes, inclusive datas, de casos de extorsão. Ainda no depoimento, o criminoso afirmou que, devido às constantes extorsões, em alguns períodos seu faturamento era zero. Segundo algumas estimativas da Polícia Civil, não confirmadas no depoimento, o bandido faturava mais de R$ 100 milhões por ano.
- Metade do dinheiro que eu ganhava era para o "arrego" (gíria para propina) - afirmou Nem.
O secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, disse em entrevista ao "RJ-TV", da TV Globo, que gostaria muito que Nem falasse mesmo o que sabe, por conhecer "a arquitetura do tráfico de drogas e como são os meandros da corrupção".
Evidente que o ilustre Nem, empresário bem sucedido, não poderá falar mais de 20% do que sabe.
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23:59
3 de novembro de 2011
Flagrante passageiro
Fica o flagrante passageiro - conforme o F2, que parece que foi para a clandestinidade (?!?) - da invasão à USP, da disposição da nossa ordeira Polícia Militar do Estado de São Paulo, gloriosa e salve-salve, de entrar a fim de dar uns pescoções no pessoal da saudosa FFLCH, a fefeléch.
O sujeito (soldado? cabo? oficial?) estava em serviço sem identificação.
Infringiu vários regulamentos sem dúvida. Mas nunca saberemos quem foi. Era a intenção.
O sujeito (soldado? cabo? oficial?) estava em serviço sem identificação.
Infringiu vários regulamentos sem dúvida. Mas nunca saberemos quem foi. Era a intenção.
| Tudo isso pra mostrar quem manda? |
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23:55
24 de outubro de 2011
fim do fim
Já
deu
nunca deu
quem sabe agora vai
entregar de vez
os pontos
vender à vista
a nossa vista
roubar o tempo que nos emprestou
certamente a juros
o tempo - relojoeiro judeu
de onde
nunca nada
vem
nunca nada
vem
que bem pode vir
nem nosso reino
nem nossa vontade
sai prá lá
de onde menos se espera
daí que não vem nada
mesmo.
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23:59
17 de outubro de 2011
15 de outubro de 2011
13 de outubro de 2011
A Máquina Paródica do Grifo - IX
Cenas dos capítulos anteriores
1 2 3 4 5 6 7 8
Resumo: O Grifo tem uma máquina paródica, e seu uso leva nossos heróis a estranhas situações
________________________________________________________________
O sujeito encolhia, quando levantei para interpelá-lo era já um mero sujeitinho, e sua impaciência tornava-se aflição, a olhos vistos, ouvidos, a olhos enxergantes. Segui na direção dele, "nós nada fizemos, meu caro, você e sua claque de seguranças são histéricos. Estou cheio de suas perguntas". Senti-me bem ao dizer; fui em sua direção, ele atingiu o tamanho de uma criança, e fugiu correndo para a direita.
Deixou de interessar-me; era pouco, ante o inusitado de a parede à minha frente dobrar-se, no seu canto esquerdo, uma curva abriu-se ante meus olhos, e o canto da parede projetou-se para trás, uma abertura, o lado escuro atrás da parede, não havia dúvidas que era a direção a seguir, deixar pra trás a sala vazia.
Até o pássaro se fora.
O caminho era escuro, como a entrada dos cinemas, entre duas cortinas, e meus passos eram surdos. Ainda tive de pressentir uma ou duas curvas com as mãos nas paredes forradas de tecido macio, antes que vislumbrasse luminosidade a mostrar o fim daquele corredor fechado. Andei naquela direção.
Do escuro, a luz; o ambiente era branco, iluminado, as janelas no alto eram multiplicadas por espelhos, muitos espelhos nas paredes, que refletiam à vertigem a cada passo. Uma sala de espelhos. Estava só e tive receio de olhar para os lados, hesitei inutilmente ante a multiplicação infinda da minha própria imagem.
Aflição da vertigem, penso que algo há de estar errado. O Grifo, afinal, deve saber de alguma coisa, onde terá se metido; quem serão aquelas pessoas à mesa, três à mesa, um quarto lugar, uma senhora me olha de modo suave e no entanto assertivo, o lugar, não há dúvida agora, está à minha espera.
1 2 3 4 5 6 7 8
Resumo: O Grifo tem uma máquina paródica, e seu uso leva nossos heróis a estranhas situações
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O sujeito encolhia, quando levantei para interpelá-lo era já um mero sujeitinho, e sua impaciência tornava-se aflição, a olhos vistos, ouvidos, a olhos enxergantes. Segui na direção dele, "nós nada fizemos, meu caro, você e sua claque de seguranças são histéricos. Estou cheio de suas perguntas". Senti-me bem ao dizer; fui em sua direção, ele atingiu o tamanho de uma criança, e fugiu correndo para a direita.
Deixou de interessar-me; era pouco, ante o inusitado de a parede à minha frente dobrar-se, no seu canto esquerdo, uma curva abriu-se ante meus olhos, e o canto da parede projetou-se para trás, uma abertura, o lado escuro atrás da parede, não havia dúvidas que era a direção a seguir, deixar pra trás a sala vazia.
Até o pássaro se fora.
O caminho era escuro, como a entrada dos cinemas, entre duas cortinas, e meus passos eram surdos. Ainda tive de pressentir uma ou duas curvas com as mãos nas paredes forradas de tecido macio, antes que vislumbrasse luminosidade a mostrar o fim daquele corredor fechado. Andei naquela direção.
Do escuro, a luz; o ambiente era branco, iluminado, as janelas no alto eram multiplicadas por espelhos, muitos espelhos nas paredes, que refletiam à vertigem a cada passo. Uma sala de espelhos. Estava só e tive receio de olhar para os lados, hesitei inutilmente ante a multiplicação infinda da minha própria imagem.
Aflição da vertigem, penso que algo há de estar errado. O Grifo, afinal, deve saber de alguma coisa, onde terá se metido; quem serão aquelas pessoas à mesa, três à mesa, um quarto lugar, uma senhora me olha de modo suave e no entanto assertivo, o lugar, não há dúvida agora, está à minha espera.
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02:02
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