O assunto deu capa do jornal Agora, soube pelo blog do Paulo Henrique Amorim; crítica à educação pública, ninguém se importa mais com isso, é algo que se aceita como um fato da vida. Essa novidade, no entanto, vem de fora do sistema educacional, sempre esculachado e humilhado, vem dos livros didáticos, cujas vendas sustentam as maiores editoras do país, mimadas com imunidade tributária e produzindo livros caros. O texto que transcrevo abaixo foi incluído em livro distribuído para a 3ª série do ensino fundamental, livro produzido pela Editora Ática, hoje de propriedade do Grupo Abril:MANUAL DE AUTO-AJUDA PARA SUPERVILÕES
Ao nascer, aproveite seu próprio umbigo e estrangule toda a equipe médica.É melhor não deixar testemunhas.
Não vá se entusiasmar e matar sua mãe.
Até mesmo supervilões precisam ter mães.
Se recuse a mamar no peito.Isso amolece qualquer um.
Não tenha pai. Um supervilão nunca tem pai.
Afogue repetidas vezes seu patinho de borracha na banheira,Assim sua técnica evoluírá. Não se preocupe. Patos abundam por aí.
Escolha bem seu nome. Maurício, por exemplo. Ou Malcom.
Evite desde o início os bem-intencionados. Eles são superchatos,Deixe os idiotas uivarem. Eles sempre uivam, mesmo quando não podem mais abrir a boca.
Odeie. Assim, por esporte.
E torça por time nenhum.
Aprenda a cantar samba, rap e jogar dama.Pode ser muito útil na cadeia. Principalmente brincar de dama.
Ginga e lábia, com ardor. Estômago no lugar do coração, pedra no rim em vez de alma.
Tome drogas, pois é sempre aconselhável ver o panorama do alto.
Fale cuspindo. Super-heróis odeiam isso.
Pactos existem para serem quebrados.Mesmo que seja com o diabo.
Nunca ame ninguém. Estupre.
Execre o amável. Zele pelo abominável.
Seja um pouco efeminado.
Isto sempre funciona com estilistas.No mínimo o seguinte: o contrato de compra tem de ser anulado, por lesivo ao interesse público, e o gestor de recursos tem de devolver todo o dinheiro pago. E chamem a editora pro rolo também. Sobre o conteúdo do texto, depois de vomitar quem sabe eu fale alguma coisa. Um filho da puta desses não tem a menor noção do que seja uma criança, e qual a responsabilidade de um idiota que se mete no processo educacional.
28 de maio de 2009
A educação pela porrada, ou desumanizar é política pública
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13:21
20 de maio de 2009
A máquina paródica do Grifo
O Grifo adquiriu de terceira mão uma máquina paródica. À distância, parece um moedor de carne, nada demais; segundo ele, quando ligada, a máquina emite ondas que ativam no proprietário a zona paródica do cérebro. Confessei a ele que nunca tinha ouvido falar desse constructo cerebral; o grifo deu de ombros (o que no caso dele sempre é meio assustador): realmente, ninguém ouviu falar muito disso, mas existe essa zona paródica, responsável pela interpretação de estruturas homólogas e replicação na forma de linguagem e contexto, e além disso... eu interrompi o quadrúpede alado, calma meu caro, isso está ficando complicado (na verdade eu queria refrear o entusiasmo do bicho, que quando engrena num assunto vai abrindo as asas, batendo as patas no chão que nem cavalo nervoso). Lembrei que ele sempre tivera essa mania de imitar, de parodiar; perguntei a ele: e quando você parodiou O Corvo, já usava essa máquina? O Grifo respondeu: claro que não, eu comprei anteontem. E você já usou a máquina, perguntei; ele me disse que era uma máquina muito boa, funcionava otimamente. Ficou inclusive me mostrando umas manivelas que acionavam a geringonça. Conversamos de mais algumas coisas, e me despedi, era de tarde.
O que não me sai da cabeça agora é o seguinte: e se o diabo da máquina estava ligada, tudo o que falamos era uma paródia de alguma outra coisa? Mas do quê?
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14:45
18 de maio de 2009
No pagode do Horácio
Nem queira saber, é zica isso aí, Leuconoe minha nega,
que fim os deuses armaram pra mim e pra ti;
larga dos búzios, o que vier, virá;
quantos verões, o que Deus mandar,
vê se as pedras param as ondas do mar.
Saca o seguinte, toma uma branquinha;
corta o pano do céu pra forrar esse barraco. Enquanto estamos de papo,
foge o malandro do tempo: cata cada dia com a mão
quem se liga em futuro é otário.
Ode I 11 - Horácio (Quintus Horatius Flaccus)
Tu ne quaesieris (scire nefas), quem mihi, quem tibi
finem di dederint, Leuconoë, nec Babylonios
tentaris numeros. ut melius, quicquid erit, pati!
seu plures hiemes, seu tribuit Iuppiter ultimam,
quae nunc oppositis debilitat pumicibus mare
Tyrrhenum: sapias, vina liques et spatio brevi
spem longam reseces. dum loquimur, fugerit invida
aetas: carpe diem, quam minimum credula postero.
Tradução que fiz, da ode de Horácio subindo o morro. Veja um trabalho erudito sobre essa ode aqui . Traduzi com a ajuda do programa words, excelente, confiram: http://www.erols.com/whitaker/words.htm
finem di dederint, Leuconoë, nec Babylonios
tentaris numeros. ut melius, quicquid erit, pati!
seu plures hiemes, seu tribuit Iuppiter ultimam,
quae nunc oppositis debilitat pumicibus mare
Tyrrhenum: sapias, vina liques et spatio brevi
spem longam reseces. dum loquimur, fugerit invida
aetas: carpe diem, quam minimum credula postero.
Tradução que fiz, da ode de Horácio subindo o morro. Veja um trabalho erudito sobre essa ode aqui . Traduzi com a ajuda do programa words, excelente, confiram: http://www.erols.com/whitaker/words.htm
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14:59
4 de maio de 2009
Ao mês de Maio
maio, maio
mês do raio
de luz que abre meus olhos,
aquarela feita de orvalho;
onde os azuis e os vermelhos
que existem só em teus ocasos?
maio, maio
mês do raio
de luz branca cristalina:
ilumina a trilha, a mente aclara.
as mentiras alheias eu encaro;
joga meus olhos sobre as minhas.
maio, maio
mês do raio
freme a terra com a luz que vibra,
força suprema sem trabalho,
dá às coisas uma cor de sonho
das tardes claras do mês de maio.
mês do raio
de luz que abre meus olhos,
aquarela feita de orvalho;
onde os azuis e os vermelhos
que existem só em teus ocasos?
maio, maio
mês do raio
de luz branca cristalina:
ilumina a trilha, a mente aclara.
as mentiras alheias eu encaro;
joga meus olhos sobre as minhas.
maio, maio
mês do raio
freme a terra com a luz que vibra,
força suprema sem trabalho,
dá às coisas uma cor de sonho
das tardes claras do mês de maio.
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21:21
30 de abril de 2009
Invenção do choro
Meia vez que seja deve-se usar cartola
ainda que fora de hora.
Um charuto, um achaque e um veneno,
o baque de sentir sua própria veia aorta.
Alguma vez, andar de bonde, dizer pilhérias,
cheirar rapé e as madressilvas. E pensar que os homens
que usavam palhetas
e pisavam nas pedras do calçamento
de olho nas mulatas de serviço,
tomando parati e discutindo o gabinete Sinimbu
existiram, eram como nós, agora; o tempo escoava
e a eles também parecia estranho. Naqueles dias em que as canções
inventaram o choro, nas rodas abrigadas sob a sombra de árvores
que ainda estão, talvez, por aí, a nos olhar.
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17:24
24 de abril de 2009
A Galinha Depenada
O Grifo, que já alcunhara merecidamente este vulto do direito nacional de A Galinha de Diamantino, junta-se ao gáudio da pátria com o depenamento da pernóstica ave no plenário do tribunal supremo.
Meus caros, a razão de o Grifo agraciar o ministro com tão mimosa alcunha é humanitária: é para não deixar o pobre ministro fazer bico, esperando que algum áulico lhe brinde com epíteto que o iguale aos grandes da lei no nosso país, como Rui Barbosa; de fato, ele merece. Nós nos antecipamos aos áulicos, queremos relembrar a nossa homenagem à Galinha de Diamantino, que rivaliza com a Águia de Haia, em postagem antiga.
ps - o galinheiro está cheio
ps 2 - o sujeito ainda precisa comer muito milho pra chegar a pavão
Meus caros, a razão de o Grifo agraciar o ministro com tão mimosa alcunha é humanitária: é para não deixar o pobre ministro fazer bico, esperando que algum áulico lhe brinde com epíteto que o iguale aos grandes da lei no nosso país, como Rui Barbosa; de fato, ele merece. Nós nos antecipamos aos áulicos, queremos relembrar a nossa homenagem à Galinha de Diamantino, que rivaliza com a Águia de Haia, em postagem antiga.
ps - o galinheiro está cheio
ps 2 - o sujeito ainda precisa comer muito milho pra chegar a pavão
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13:26
15 de abril de 2009
Dois tercetos
Eis que inda singro por senda de erros,
sombra do ocaso em sonhos dispersa,
um cofre sob a crosta de chumbo do medo.
Uma vela adivinha o tremor dos meus passos,
silêncio que espreita a cidade submersa,
idéia obscura que foge do fogo e do gelo.
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21:27
13 de abril de 2009
O outro lado
O mais aterrador do outro lado é que pode ser muito parecido com este.
Emanuel Swedenborg dizia que o além túmulo de cada um depende de suas crenças nesta vida; assim, coexistem um céu de muçulmanos (com huris), um céu de cristãos, com anjos e etcétera, e outros tantos. Rudolf Steiner, grande vidente, via a conexão entre planos. Também o sono pode ter relances de mundos espirituais, segundo ele.
Pois bem, é isso que me assusta; outro dia sonhei que falava ao telefone com um serviço de atendimento, e eu reclamava em desespero sobre uma fatura paga, pela qual me cobravam juros absurdos. Bem, isso é que é suplício. Pela primeira vez, se meu espírito foi se ocupar disso, além de qualquer excesso ou insensatez que já cometi na vida, tive receio pela minha alma imortal.
Emanuel Swedenborg dizia que o além túmulo de cada um depende de suas crenças nesta vida; assim, coexistem um céu de muçulmanos (com huris), um céu de cristãos, com anjos e etcétera, e outros tantos. Rudolf Steiner, grande vidente, via a conexão entre planos. Também o sono pode ter relances de mundos espirituais, segundo ele.
Pois bem, é isso que me assusta; outro dia sonhei que falava ao telefone com um serviço de atendimento, e eu reclamava em desespero sobre uma fatura paga, pela qual me cobravam juros absurdos. Bem, isso é que é suplício. Pela primeira vez, se meu espírito foi se ocupar disso, além de qualquer excesso ou insensatez que já cometi na vida, tive receio pela minha alma imortal.
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20:46
6 de abril de 2009
Ainda que tarde...
Enfim descobriram o óbvio na Assembléia: depois de publicar bobagens sobre funcionários, matérias direcionadas, o Estadão constata a manada de ocupantes de cargos em comissão, empossados por mera canetada dalgum sr. Deputado.
Antes tarde do que nunca; quem sabe até chegam a discutir esse problema central da administração pública - instrumentalizado por todos os partidos - : o excesso de cargos em comissão, cujos ocupantes têm compromisso apenas com quem os nomeia, não com o poder público. Isso mata as boas políticas públicas no nascedouro. Mas não, não esperemos tanto.
Antes tarde do que nunca; quem sabe até chegam a discutir esse problema central da administração pública - instrumentalizado por todos os partidos - : o excesso de cargos em comissão, cujos ocupantes têm compromisso apenas com quem os nomeia, não com o poder público. Isso mata as boas políticas públicas no nascedouro. Mas não, não esperemos tanto.
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21:26
3 de abril de 2009
28 de março de 2009
Negócios de ocasião
Negociam-se agora, bem sob nossos olhos, negócios secretos, escusos. Explico; vejam como vexados estão os sujeitos A, B e C, nas páginas dos jornais, investigados pela polícia, suspeitos de negócios pouco lícitos com os sujeitos X, Y e Z, principalmente Z. Ora, X, Y e Z, principalmente Z, terão todo interesse em que tal investigação não dê todo fruto que promete. Veja que também os indíviduos P, Q e R, de quem já íamos nos esquecendo, estavam há pouco na mesma situação de A, B e C, e terão todo interesse que a investigação sobre eles também não frutifique, essa investigação que havia sido incentivada por X, quiçá por Y, certamente por Z.
Não veremos aí uma comunhão de interesses? Nessas horas, um negócio de polícia cria uma polícia de negócios.
Alías, o enredo já havia sido previsto por Edgar Allan Poe, em A Carta Roubada (the Purloined Letter). Vale a pena ler.
Não veremos aí uma comunhão de interesses? Nessas horas, um negócio de polícia cria uma polícia de negócios.
Alías, o enredo já havia sido previsto por Edgar Allan Poe, em A Carta Roubada (the Purloined Letter). Vale a pena ler.
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22:05
27 de março de 2009
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