19 de agosto de 2009
A máquina paródica V
- A indução de consciência é notável, de fato, disse o Grifo. - Temos pouco tempo antes de sentirmos o efeito rebote, também interessante.
- Mas como efeito rebote, ia perguntando, já tardiamente; no arrabalde, as nuvens do enterdecer começaram, conspiratórias, a parecer gás engarrafado, o que não deixava de ser justo, pensava eu, notando, em consciência duplicada, a alteração das percepções.
Vi-me num salão amplo, um galpão em que grandes condutos passavam lá em cima, no teto alto, e o sentido da profundidade quase se perdia, de tão grande o prédio; a parede a nossa frente, quase a perdíamos de vista. O Grifo, notável, continuava com aparência de Grifo, o que me deu uma ponta de dúvida quanto ao caráter alucinatório da coisa toda.
17 de agosto de 2009
A história se repete repete repete repete repete
estudantil quando eu estava na faculdade. Sarney era o presidente naquela
época, José Goldenberg era o reitor da USP, e Vanderlei... porra, quem será
que era esse Vanderlei, hein?
11 de agosto de 2009
Catação de pulga
Mais catação, como é evidente que eu não tenho mais o que fazer.
3 de agosto de 2009
Catando pulga
Essa última mania é que me faz escrever esse, saiu em chamada do Estadão na internet (será que não estão dando empregos para revisores? pelo visto não o suficiente)
caos em show de Bruce Springsteen
Atrasos, aglomerações e invasão de não-pagantes revoltou quem foi ao show
É isso aí, meus caros: tudo aquilo devem ter sido desagradável!
16 de julho de 2009
A máquina paródica do Grifo existe de fato (IV)
- Meu caro Grifo, isso parece uma paródica máquina de inventores dos quadrinhos.
Reticente, o monstro sorriu, e demorou um pouco antes de murmurar:
- Exatamente.
Acionada, a máquina emitiu um zumbido baixo, incessante. O Grifo explicava-me que a alimentação se dava por baterias solares, e enquanto a criatura falava de íons e correntes, mencionou um componente importante da traquitana - o indutor de consciência.
De repente, a voz do grifo pareceu vir de uma figura de avental, a quem não divisei direito logo de cara; apertei os olhos e vi um rosto levemente enrugado, cabelos brancos e óculos de aro fino, que me explicava coisas incompreensíveis com ar tolerante, professoral. Procurei entender o que ele falava, o senhor com leve ar de gnomo, que me explicava agora com uma lousa, em um gabinete de experiências, com retortas e tubos de ensaio; tive um sobressalto, esfreguei a cara: estávamos no arrabalde, entre os ramos de mato, e o Grifo me encarava curioso.
- Percebe como funciona?
10 de julho de 2009
Queima de arquivo!
Explicada a insistência dos corintianos com as piadinhas de bambi etc. - é o recalque do desejo ardente que eles têm de sair rebolando lá pela marginal do Tietê.
O título da matéria é caridoso; suruba agora tem outro nome.
Morre travesti que se envolveu em polêmica com Ronaldo - Estadao.com.br
4 de julho de 2009
tempo cíclico
de volta
outro ciclo do tempo
o mundo deu uma volta
correu na órbita celeste
outra kalpa
novo éon
nova era
só na minha ampulheta
parece
entrou areia
29 de junho de 2009
com endereço
te digo
volta sobre teus passos, se enterre de vez em tua sombra; sempre e agora, o que queres e está diante do teus olhos, será sempre conspurcado pela cobiça lodosa de tua alma; e por isso andarás por aí, sem sossego, desejando sem conseguir, conseguindo só o que pegas por via tortuosa. Longe do bem estarás sempre, em nenhum lugar conhecerás a paz. Tântalo, tonto imbecil, usurpou a boa vontade dos outros.
5 de junho de 2009
A máquina paródica do grifo - III
Sim, o Grifo com certeza possui uma máquina paródica, e a guarda lá longe!
29 de maio de 2009
A máquina paródica do Grifo - II
resumo do capítulo anterior: o Grifo possui uma máquina paródica!
Aquela preocupação com a máquina do grifo naturalmente foi cedendo seu lugar a outras, como costuma acontecer; o gás, a poluição, o tempo que muda, a taxa de juros, nosso time, quantas mais? Até que dobrei uma esquina e precebi que de cima de um telhado o Grifo me espreitava com um sorriso no bico. Ai, a multímoda criatura, pensei, e lá estava ele diante de mim, abanando as asas. - Olá, meu amigo humano. Como vai? - Assim, assim, meu caro Grifo. E você? - Ah, meu chapa, minha máquina é fantástica! Vamos até lá, vou te mostrar o que ela é capaz de fazer. Ainda nem cheguei aos limites dela... - Mas Grifo, eu estou indo ao banco, logo ali, pagar minhas contas. - Ah, os negócios humanos! Sempre as preocupações mais irrelevantes... A criatura estava totalmente absorvida pela máquina. Eu me lembrei do que pensara sobre a máquina, aquela sensação estranha de não saber o que era efeito da máquina e o que não. Mas, rá, o hábito de rir das preocupações iria falar mais alto. - Bem, Grifo, o banco é logo ali... - Nem se fala mais nisso. Vamos logo ao banco, e depois faço questão que você vá ver minha máquina. Fica difícil negociar com um animal que quando abre as asas tem uma envergadura de mais de cinco metros. Enquanto eu discutia com o gerente, o Grifo descansava entre as gárgulas da fachada. Logo depois estávamos voando, eu montado na coluna do Grifo e o animal impávido pelo ar, rumo aos arrabaldes da cidade, onde o Grifo mora.
28 de maio de 2009
A educação pela porrada, ou desumanizar é política pública
O assunto deu capa do jornal Agora, soube pelo blog do Paulo Henrique Amorim; crítica à educação pública, ninguém se importa mais com isso, é algo que se aceita como um fato da vida. Essa novidade, no entanto, vem de fora do sistema educacional, sempre esculachado e humilhado, vem dos livros didáticos, cujas vendas sustentam as maiores editoras do país, mimadas com imunidade tributária e produzindo livros caros. O texto que transcrevo abaixo foi incluído em livro distribuído para a 3ª série do ensino fundamental, livro produzido pela Editora Ática, hoje de propriedade do Grupo Abril:MANUAL DE AUTO-AJUDA PARA SUPERVILÕES
Ao nascer, aproveite seu próprio umbigo e estrangule toda a equipe médica.É melhor não deixar testemunhas.
Não vá se entusiasmar e matar sua mãe.
Até mesmo supervilões precisam ter mães.
Se recuse a mamar no peito.Isso amolece qualquer um.
Não tenha pai. Um supervilão nunca tem pai.
Afogue repetidas vezes seu patinho de borracha na banheira,Assim sua técnica evoluírá. Não se preocupe. Patos abundam por aí.
Escolha bem seu nome. Maurício, por exemplo. Ou Malcom.
Evite desde o início os bem-intencionados. Eles são superchatos,Deixe os idiotas uivarem. Eles sempre uivam, mesmo quando não podem mais abrir a boca.
Odeie. Assim, por esporte.
E torça por time nenhum.
Aprenda a cantar samba, rap e jogar dama.Pode ser muito útil na cadeia. Principalmente brincar de dama.
Ginga e lábia, com ardor. Estômago no lugar do coração, pedra no rim em vez de alma.
Tome drogas, pois é sempre aconselhável ver o panorama do alto.
Fale cuspindo. Super-heróis odeiam isso.
Pactos existem para serem quebrados.Mesmo que seja com o diabo.
Nunca ame ninguém. Estupre.
Execre o amável. Zele pelo abominável.
Seja um pouco efeminado.
Isto sempre funciona com estilistas.No mínimo o seguinte: o contrato de compra tem de ser anulado, por lesivo ao interesse público, e o gestor de recursos tem de devolver todo o dinheiro pago. E chamem a editora pro rolo também. Sobre o conteúdo do texto, depois de vomitar quem sabe eu fale alguma coisa. Um filho da puta desses não tem a menor noção do que seja uma criança, e qual a responsabilidade de um idiota que se mete no processo educacional.