O Grifo reapareceu lá no meu cafofo; veio voejando de nor-nordeste, e, depois de descrever uma trajetória elíptica, pousou sobre o muro de casa, quase firme depois das chuvas.
- Epa, seu Grifo, quem é vivo, hein?
- Olá, meu caro ser humano; como ides, seu Gomide? (não se pode exigir coerência dos animais de fábula; eu não me chamo Gomide.)
- Cuidado com esse muro, Grifão, tá meio bambo e o barranco não segura.
- Ahã, soube outro dia que esperto é quem fica em cima do muro. Almejo a esperteza humana, que vê virtudes na contradição.
- Olha lá, tá falando que nem doutor, hein?
Fui interrompido pela bicada bestial do grifo no ar. O grifo come mosquitos? Nem sei, deixei o bicho lá, e até agora ficou. Assusta todos os gatos do bairro, esse bicho esquisito sobresito por lá. Tocar o grifo? Sei não.
27 de fevereiro de 2009
20 de fevereiro de 2009
Quem mandou ler jornal?
No Brasil, o governo militar foi uma "ditabranda", segundo a Folha de São Paulo. O que é que tem uma ditadura benigna, até boazinha?
Não teve PARA-SAR, o Estado não matou cidadãos considerados crimonosos sem o devido processo, não teve choque elétrico, tortura ou pau de arara.
Ou, se teve, não importa. A Folha vai corajosamente assumir seu apoio à ditadura de 64, assim como corajosamente posou de paladina das Diretas, ainda antes do cadáver da dita cuja esfriar.
E hoje ainda chama de cínicos leitores que escrevem em protesto; o professor Fábio Konder Comparato só pode criticar a Folha se antes abjurar o regime cubano. O que é que tem a ver com as calças?
Que nojo, Folha de São Paulo; assumam a cagada que fizeram, e depois disso FECHEM ESSE PASQUIM RIDÍCULO E VÃO GANHAR A VIDA HONESTAMENTE, SEUS BOÇAIS!!!!
Não teve PARA-SAR, o Estado não matou cidadãos considerados crimonosos sem o devido processo, não teve choque elétrico, tortura ou pau de arara.
Ou, se teve, não importa. A Folha vai corajosamente assumir seu apoio à ditadura de 64, assim como corajosamente posou de paladina das Diretas, ainda antes do cadáver da dita cuja esfriar.
E hoje ainda chama de cínicos leitores que escrevem em protesto; o professor Fábio Konder Comparato só pode criticar a Folha se antes abjurar o regime cubano. O que é que tem a ver com as calças?
Que nojo, Folha de São Paulo; assumam a cagada que fizeram, e depois disso FECHEM ESSE PASQUIM RIDÍCULO E VÃO GANHAR A VIDA HONESTAMENTE, SEUS BOÇAIS!!!!
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15:11
17 de fevereiro de 2009
Ensignância
Ensenhança
ensinança de Anunciação:
ensinança de Anunciação:
o Signo
em plena Signância
Qualquer Consciência -
Mera Semelhança
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14:10
Cadê
Onde estão as Notícias Populares que não mandam mais notícias?
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14:08
12 de fevereiro de 2009
Índice de mentiras
Compulsados a compilar um índice de mentiras, os autores declinaram, diante das versões´em conflito de seus informantes.
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13:20
3 de fevereiro de 2009
Críptica
Quis um dia exercer a crítica
com a lança da verdade,
com o ferro da ironia,
um a um
derrubei
os moinhos
e o vento.
As palavras, os sentimentos, esses canalhas,
nada sobreviveu a esse torto olho sínico
ruíram grandiosos edifícios, pedra e pedra.
Na poeira, me pergunto em voz alta :
não é que era mesmo
a liberdade um jugo
e vice versa?
com a lança da verdade,
com o ferro da ironia,
um a um
derrubei
os moinhos
e o vento.
As palavras, os sentimentos, esses canalhas,
nada sobreviveu a esse torto olho sínico
ruíram grandiosos edifícios, pedra e pedra.
Na poeira, me pergunto em voz alta :
não é que era mesmo
a liberdade um jugo
e vice versa?
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14:04
30 de janeiro de 2009
À modo de refrão
Gente
tem
que tem
jeito
um ou outro:
tem
que tem
jeito
um ou outro:
nascer de novo
ou
trocar de couro
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23:21
29 de janeiro de 2009
Com fumaças de profeta
O dinheiro tem valor simbólico apenas. Devemos ver, meus amigos, a circulação de moeda em analogia à circulação de símbolos, de palavras. Ferdinand de Saussurre já antecipava esse passo nalgum trecho de seu Curso. A linguagem e os símbolos em geral, permitimo-nos com eles jogos e ironias e auto referência. Testar limites. Com o dinheiro não, o dinheiro é sacrossanto, com ele nada além do sentido literal mais estrito, dizem. Tanto que a epítome da loucura, no refrão popular, é rasgar dinheiro.
Chega o dia, no entanto, em que o caráter meramente simbólico do dinheiro deve ser escancarado a todos, soa a hora dessa crença universal. Esse será o sentido ulterior das revoluções e tumultos na economia financeira de hoje, gerados justamente pela atividade irrefreada e delirante dos moedeiros falsos, sumos sacerdotes do dinheiro. Observai a complementaridade dos movimentos contrários. No próprio centro do capital financeiro o gênio foi tirado da garrafa, evidenciou-se que o dinheiro é tratado pelos seus criadores como símbolo, eles agem com liberdade em relação a ele, como criadores; nós, aqueles que trabalhamos em troca de dinheiro, que guardamos e pensamos nele pelo menos uma vez por dia, nós somos os escravos do dinheiro, ele fala por nós, subordinamos nossos desejos e crenças a ele. Entendamos de uma vez por toda que como toda linguagem o dinheiro depende da crença mútua da coletividade.
Não custa, caros amigos, dar uma força ao inevitável devir histórico: o mais sensato agora é rasgar dinheiro ou cunhar moeda às próprias custas. Moeda falsa? Olha quem fala!! Sejamos todos banqueiros!
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13:58
22 de janeiro de 2009
20 de janeiro de 2009
Fúria teus verdes olhos
Fúria, teus verdes olhos fitam outra coisa além de mim,
mais além; encaram meus olhos de vidro, a cabeça vítrea - transolhas.
Como virar-me, ver o que vês, envidraçado nesse átimo,
no frio do vidro, teus ventos verdes labaredas a varrer o que será?
mais além; encaram meus olhos de vidro, a cabeça vítrea - transolhas.
Como virar-me, ver o que vês, envidraçado nesse átimo,
no frio do vidro, teus ventos verdes labaredas a varrer o que será?
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14:51
17 de janeiro de 2009
Notícia velha
dos jornais de anteontem: perigosa quadrilha de juízes e delegados ameaça... ameaça... ameaça quem mesmo? Preciso reler os jornais de anteontem; espero a reedição amanhã.
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11:06
8 de janeiro de 2009
Por aí, bundando
Então, numa dessas soube que bunda é de origem banto. Beleza de vocábulo, bunda é único, e é nosso; em Portugal o cru cu, meio brutal. Bunda não, palavra macia, arredondada, escandida com o mesmo prazer tátil de tocar uma bunda. Aliás, gesto pleno de sentidos, faz falta um estudo que revele inteiramente a amplitude cultural de passar a mão na bunda.
Tenhamos pena dos pobres termos estrangeiros, secos traseiros, buracos, atrás; só a gente tem a legítima bunda na imaginação, no léxico; não tenham dúvida de que é por isso que no Brasil abundam as benditas bundas, bamboleando e bulindo; não falemos da moça cuja bunda ganhou prêmio, que isso de bunda laureada, de vitrine, é um legítimo cu. A bunda sacrossanta e gostosa é a da rua, da praia, de todo dia.
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14:12
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