Se p então q,
se q então r
r, se, e somente se, s.
Porque raios será
enredam-se PQRS em combinações argutas
argumentos em marcha
e, em forma de anagrama: SPQR
marcham soldadinhos, salve senatus populusque romanus
por onde passam não nasce nem grama
Porra, que rei serei? Será que pode?
Rei que se preze
Só recebe quem pede
Reunidas, num canto do alfabeto
confabulam entre si, com ânsias de poder
P, Q, R e S.
9 de setembro de 2009
19 de agosto de 2009
A máquina paródica V
- Mas é incrível, disse ao animal, que sorria, - uma coisa estranhíssima essa máquina! Veja que em poucos minutos já senti efeitos inegáveis!
- A indução de consciência é notável, de fato, disse o Grifo. - Temos pouco tempo antes de sentirmos o efeito rebote, também interessante.
- Mas como efeito rebote, ia perguntando, já tardiamente; no arrabalde, as nuvens do enterdecer começaram, conspiratórias, a parecer gás engarrafado, o que não deixava de ser justo, pensava eu, notando, em consciência duplicada, a alteração das percepções.
Vi-me num salão amplo, um galpão em que grandes condutos passavam lá em cima, no teto alto, e o sentido da profundidade quase se perdia, de tão grande o prédio; a parede a nossa frente, quase a perdíamos de vista. O Grifo, notável, continuava com aparência de Grifo, o que me deu uma ponta de dúvida quanto ao caráter alucinatório da coisa toda.
- A indução de consciência é notável, de fato, disse o Grifo. - Temos pouco tempo antes de sentirmos o efeito rebote, também interessante.
- Mas como efeito rebote, ia perguntando, já tardiamente; no arrabalde, as nuvens do enterdecer começaram, conspiratórias, a parecer gás engarrafado, o que não deixava de ser justo, pensava eu, notando, em consciência duplicada, a alteração das percepções.
Vi-me num salão amplo, um galpão em que grandes condutos passavam lá em cima, no teto alto, e o sentido da profundidade quase se perdia, de tão grande o prédio; a parede a nossa frente, quase a perdíamos de vista. O Grifo, notável, continuava com aparência de Grifo, o que me deu uma ponta de dúvida quanto ao caráter alucinatório da coisa toda.
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17:34
17 de agosto de 2009
A história se repete repete repete repete repete
"Fora Sarney, Goldenberg e Vanderlei!" era o grito de guerra do movimento
estudantil quando eu estava na faculdade. Sarney era o presidente naquela
época, José Goldenberg era o reitor da USP, e Vanderlei... porra, quem será
que era esse Vanderlei, hein?
estudantil quando eu estava na faculdade. Sarney era o presidente naquela
época, José Goldenberg era o reitor da USP, e Vanderlei... porra, quem será
que era esse Vanderlei, hein?
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15:42
11 de agosto de 2009
Catação de pulga
Abundam pulgas.
Mais catação, como é evidente que eu não tenho mais o que fazer.
Mais catação, como é evidente que eu não tenho mais o que fazer.
Habeas corpus indefirido não é do Grupo Estado
Ganha um porta-copos exclusivo quem conjugar corretamente o verbo "defirir".
Talvez fosse melhor mesmo eles começarem a republicar os Lusíadas.
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21:42
3 de agosto de 2009
Catando pulga
Eu mesmo reconheço, tenho várias características que me condenam de forma inapelável ao destino e missão dos chatos. Entre outras coisas, sou ex-fumante, daqueles que pegam no pé da fumaça do cigarro alheio, e já trabalhei como revisor de texto, o que significa implicar com o que o outro escreve.
Essa última mania é que me faz escrever esse, saiu em chamada do Estadão na internet (será que não estão dando empregos para revisores? pelo visto não o suficiente)
Essa última mania é que me faz escrever esse, saiu em chamada do Estadão na internet (será que não estão dando empregos para revisores? pelo visto não o suficiente)
caos em show de Bruce Springsteen
Atrasos, aglomerações e invasão de não-pagantes revoltou quem foi ao show
É isso aí, meus caros: tudo aquilo devem ter sido desagradável!
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22:47
16 de julho de 2009
A máquina paródica do Grifo existe de fato (IV)
Sim, o polimorfo animal enfim permitiu que eu visse o dispositivo a respeito do qual vinha falando. De metal fosco, a bojuda máquina paródica tinha hastes de metal a sair-lhe do corpo, como várias alças; na parte de cima, alguns fios e antenas.
- Meu caro Grifo, isso parece uma paródica máquina de inventores dos quadrinhos.
Reticente, o monstro sorriu, e demorou um pouco antes de murmurar:
- Exatamente.
Acionada, a máquina emitiu um zumbido baixo, incessante. O Grifo explicava-me que a alimentação se dava por baterias solares, e enquanto a criatura falava de íons e correntes, mencionou um componente importante da traquitana - o indutor de consciência.
De repente, a voz do grifo pareceu vir de uma figura de avental, a quem não divisei direito logo de cara; apertei os olhos e vi um rosto levemente enrugado, cabelos brancos e óculos de aro fino, que me explicava coisas incompreensíveis com ar tolerante, professoral. Procurei entender o que ele falava, o senhor com leve ar de gnomo, que me explicava agora com uma lousa, em um gabinete de experiências, com retortas e tubos de ensaio; tive um sobressalto, esfreguei a cara: estávamos no arrabalde, entre os ramos de mato, e o Grifo me encarava curioso.
- Percebe como funciona?
- Meu caro Grifo, isso parece uma paródica máquina de inventores dos quadrinhos.
Reticente, o monstro sorriu, e demorou um pouco antes de murmurar:
- Exatamente.
Acionada, a máquina emitiu um zumbido baixo, incessante. O Grifo explicava-me que a alimentação se dava por baterias solares, e enquanto a criatura falava de íons e correntes, mencionou um componente importante da traquitana - o indutor de consciência.
De repente, a voz do grifo pareceu vir de uma figura de avental, a quem não divisei direito logo de cara; apertei os olhos e vi um rosto levemente enrugado, cabelos brancos e óculos de aro fino, que me explicava coisas incompreensíveis com ar tolerante, professoral. Procurei entender o que ele falava, o senhor com leve ar de gnomo, que me explicava agora com uma lousa, em um gabinete de experiências, com retortas e tubos de ensaio; tive um sobressalto, esfreguei a cara: estávamos no arrabalde, entre os ramos de mato, e o Grifo me encarava curioso.
- Percebe como funciona?
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19:39
10 de julho de 2009
Queima de arquivo!
Trata-se de queima de arquivo promovida pelos Gaviões da Fiel.
Explicada a insistência dos corintianos com as piadinhas de bambi etc. - é o recalque do desejo ardente que eles têm de sair rebolando lá pela marginal do Tietê.
O título da matéria é caridoso; suruba agora tem outro nome.
Morre travesti que se envolveu em polêmica com Ronaldo - Estadao.com.br
Explicada a insistência dos corintianos com as piadinhas de bambi etc. - é o recalque do desejo ardente que eles têm de sair rebolando lá pela marginal do Tietê.
O título da matéria é caridoso; suruba agora tem outro nome.
Morre travesti que se envolveu em polêmica com Ronaldo - Estadao.com.br
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14:01
4 de julho de 2009
tempo cíclico
aí vem
de volta
outro ciclo do tempo
o mundo deu uma volta
correu na órbita celeste
outra kalpa
novo éon
nova era
só na minha ampulheta
parece
entrou areia
de volta
outro ciclo do tempo
o mundo deu uma volta
correu na órbita celeste
outra kalpa
novo éon
nova era
só na minha ampulheta
parece
entrou areia
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22:10
29 de junho de 2009
com endereço
A você, que entrou em minha casa, percorreu seus cantos farejando com caninhos escondidos em sua boca maledicente; a você, que prescrutou com olhos cobiçosos as coisas minhas reunidas com carinho; que lançou mão maldosa sobre objetos inocentes, que lançou palavras mal intencionadas ao sabor do vento de tua insânia; a você, que renegou meu sangue mais de uma vez,
te digo
volta sobre teus passos, se enterre de vez em tua sombra; sempre e agora, o que queres e está diante do teus olhos, será sempre conspurcado pela cobiça lodosa de tua alma; e por isso andarás por aí, sem sossego, desejando sem conseguir, conseguindo só o que pegas por via tortuosa. Longe do bem estarás sempre, em nenhum lugar conhecerás a paz. Tântalo, tonto imbecil, usurpou a boa vontade dos outros.
te digo
volta sobre teus passos, se enterre de vez em tua sombra; sempre e agora, o que queres e está diante do teus olhos, será sempre conspurcado pela cobiça lodosa de tua alma; e por isso andarás por aí, sem sossego, desejando sem conseguir, conseguindo só o que pegas por via tortuosa. Longe do bem estarás sempre, em nenhum lugar conhecerás a paz. Tântalo, tonto imbecil, usurpou a boa vontade dos outros.
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22:45
5 de junho de 2009
A máquina paródica do grifo - III
Sim, o Grifo com certeza possui uma máquina paródica, e a guarda lá longe!
Chegamos a um descampado amplo, de onde se via a cidade ao longe, encimada por uma nuvem permanente de fuligem e gases mefíticos. O Grifo aterrisou no meio do descampado, num mato já alto, e ao longe se viam uma ou outra árvore. Finalmente chegamos em casa, disse animado a besta biforme; logo vamos ver a máquina. Aceita um pouco?, perguntou, enquanto inclinava o pescoço e mordia com vontade uma touceira verdinha. Balbuiciei que não, obrigado; estava conhecendo a morada daquele estranho animal, com quem já convivia há tanto tempo, e dei-me conta afinal era um herbívoro. Afastei-me um pouco, por algum motivo acho que companhia para quem come só pode ser alguém que coma também. O descampado, sob o vento que começou a soprar, parecia uma campina distante, ampla, o balanço dos ramos dos arbustos adquiriu ritmo, lembrei-me das savanas na África. Já entrevia uma zebra ao longe, e de repente um sobressalto: era o Grifo me chamando. Vamos ver a máquina, disse; o arrabalde de repente me pareceu comum, desolado. Segui o Grifo.
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16:58
29 de maio de 2009
A máquina paródica do Grifo - II
resumo do capítulo anterior: o Grifo possui uma máquina paródica!
Aquela preocupação com a máquina do grifo naturalmente foi cedendo seu lugar a outras, como costuma acontecer; o gás, a poluição, o tempo que muda, a taxa de juros, nosso time, quantas mais? Até que dobrei uma esquina e precebi que de cima de um telhado o Grifo me espreitava com um sorriso no bico. Ai, a multímoda criatura, pensei, e lá estava ele diante de mim, abanando as asas. - Olá, meu amigo humano. Como vai? - Assim, assim, meu caro Grifo. E você? - Ah, meu chapa, minha máquina é fantástica! Vamos até lá, vou te mostrar o que ela é capaz de fazer. Ainda nem cheguei aos limites dela... - Mas Grifo, eu estou indo ao banco, logo ali, pagar minhas contas. - Ah, os negócios humanos! Sempre as preocupações mais irrelevantes... A criatura estava totalmente absorvida pela máquina. Eu me lembrei do que pensara sobre a máquina, aquela sensação estranha de não saber o que era efeito da máquina e o que não. Mas, rá, o hábito de rir das preocupações iria falar mais alto. - Bem, Grifo, o banco é logo ali... - Nem se fala mais nisso. Vamos logo ao banco, e depois faço questão que você vá ver minha máquina. Fica difícil negociar com um animal que quando abre as asas tem uma envergadura de mais de cinco metros. Enquanto eu discutia com o gerente, o Grifo descansava entre as gárgulas da fachada. Logo depois estávamos voando, eu montado na coluna do Grifo e o animal impávido pelo ar, rumo aos arrabaldes da cidade, onde o Grifo mora.
continua...
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17:03
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