Temos então o caso, o drama atual da nossa eleição em que espreita e nos encara a fera babona e sedenta do fascismo, essa cadela fiel ao capitalismo em crise.
O caso é que vimos manifestação impressionante, sem precedentes, a favor de Lula, em São Paulo, e no interior o Flávio Bolsonaro reuniu pouca gente numa cidade média. No entanto o filhote de miliciano como todos sabem saiu na frente no primeiro turno.
O truque tem como artífices as agora ubíquas redes sociais, os mecanismos de internet que funcionam como suporte de comunicação, de acesso a conhecimento, consumo e relações entre as pessoas, um tráfico de signos infindável, mas não uma Biblioteca de Babel aleatória e vasta, e sim um fluxo contínuo de conteúdo ajustado ao perfil estabelecido pelo mecanismo de vigilância para o destinatário, para sempre prisioneiro da programação do algoritmo vigilante, a melhor realização do pesadelo voyeur do panopticon.
E o que fazer? Porque a comunicação por esses meios tem dono, e assim é também uma mercadoria, não as palavras em si - os antigos, saudosos livreiros já mercadejavam com palavras - mas o ato comunicativo, a interação é agora não vendido, comerciado, embalado, faturado, mas, meio misteriosamente, monetizado, conforme o uso corrente, termo que sugere que o conteúdo comunicacional, imagem, palavra, vídeo, torna-se moeda, ocorre como que uma transubstanciação. Assim os sujeitos da comunicação tem um novo horizonte pragmático na sua enunciação, a grana que o enunciado lhe vai render. Tornam-se os mais populares atores clientes da rede social.
E o alcance desses atos de comunicação é bem regulado pelo algoritmo, que aumenta ou restringe a repercussão do discurso. O uso político já é conhecido, o episódio do brexit foi exemplar, e agora aqui nessa eleição fatídica.
Usar esses meios, parece inevitável. Claro que é jogar no campo adversário , com a bola do adversário, o juiz do adversário, e o adversário escreve o livro de regras durante o jogo. Pelé ganharia um jogo assim? Possível.
Eu de minha parte, sendo anônimo logogrifo, pretendo escrever cartas em papel buscando na vizinhança os indecisos e os abstinentes para eleger Lula, não por recusar a voragem absolutista do algoritmo, mas para assegurar talvez que os donos dos algoritmos não compraram a linguagem, embora seja a mercadoria deles, são espoliadores. Essa primeira invenção humana, dos assírios, dos hititas, dos maias não é um ativo desses psicopatas saqueadores da mente.
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