O interessante para nós que o livro antecipa, como em Wells ou Júlio Verne, esse acontecimento da eleição dos estados unidos; no século 23, na eleição do presidente norte americano, disputam um candidato dos homens, e um das mulheres, que rejeitam a idéa de que homens e mulheres pertençam à mesma espécie. Os dois candidatos cortejam o líder dos negros, Jim Roy, que hesita em declarar apoio até o último minuto, quando, em um movimento surpreendente, declara-se candidato, e ganha a eleição.
Tudo isso é relatado por Miss Jane a Ayrton, embevecido, babando pela moça. Ainda há muita coisa interessante no livro, como o futuro da eugenia, as transmissões de informação à distância instantaneamente (vg internet), por "rádio". em outra postagem continuo.
8 de fevereiro de 2008
22 de janeiro de 2008
o presidente negro
O argumento do romance O Presidente Negro vai assim: o narrador, Ayrton, é um sujeito simples, que trabalha a para firma de Sá, Pato & Cia. Observa de longe a riquiza alheia, admira e teme os donos da firma, e tem seus palpites no mercado financeiro. Deseja demais ter um carro, com o qual possa esmagar os pedestres, gritando "Arreda!".
Certo dia, um conhecido lhe aponta, dentro de uma agência bancária, certo senhor - é o professor Benson, e segundo o outro consegue ganhar sempre no câmbio, prevê a valorização e a desvalorização das moedas.
Vai um dia Ayrton afinal consegue o carro, um Ford, e sai pelas ruas a buzinar, acelerado. Na firma, ganha aumento, faz os patrões verem que impressiona ter um empregado com automóvel - o romance é de 1926.
Então, certo dia, é enviado para Friburgo, em incumbência do trabalho, e vai com seu Ford, numa estrada péssima de início, trilha de carroças. De repente, vê-se em uma bela pista, e pisa fundo no acelerador, apreciando a linda paisagem montanhosa. Sofre um acidente, perde a consciência e seu amado Ford. Quando acorda, está diante do professor Benson, o do banco.
Revela-se então que o professor Benson é um velho sábio que vive recluso - ayrton lembra-se do capitão Nemo - com sua bela filha Jane, cuja beleza perturba o narrador. O ancião conseguiu construir um aparato que lhe permite ver o futuro e o passado, pois que ambos nada mais são do que consequências determinadas pela vibração do éter - o romance é de 1926 - o princípio ou unidade fundamental da matéria. Conhecendo e captando por antenas semelhantes a teias de aranha tais vibrações, soube o professor calcular os movimentos futuros do éter, ou seja, o estado do mundo e tal ou qual ponto futuro - ou passado. Tais momentos se lhe aparecem num globo chamado de cronoscópio. Tudo isso revela ao apatetado Ayrton, reconhecidamente ignorante, de poucos estudos, modesto caixeiro, porque vê que está perto da morte, tem a necessidade de contar a alguém a sua invenção, que não deixará para a humanidade, e respeita o Acaso, que é como um Deus, e lhe trouxera até ele.
Certo dia, um conhecido lhe aponta, dentro de uma agência bancária, certo senhor - é o professor Benson, e segundo o outro consegue ganhar sempre no câmbio, prevê a valorização e a desvalorização das moedas.
Vai um dia Ayrton afinal consegue o carro, um Ford, e sai pelas ruas a buzinar, acelerado. Na firma, ganha aumento, faz os patrões verem que impressiona ter um empregado com automóvel - o romance é de 1926.
Então, certo dia, é enviado para Friburgo, em incumbência do trabalho, e vai com seu Ford, numa estrada péssima de início, trilha de carroças. De repente, vê-se em uma bela pista, e pisa fundo no acelerador, apreciando a linda paisagem montanhosa. Sofre um acidente, perde a consciência e seu amado Ford. Quando acorda, está diante do professor Benson, o do banco.
Revela-se então que o professor Benson é um velho sábio que vive recluso - ayrton lembra-se do capitão Nemo - com sua bela filha Jane, cuja beleza perturba o narrador. O ancião conseguiu construir um aparato que lhe permite ver o futuro e o passado, pois que ambos nada mais são do que consequências determinadas pela vibração do éter - o romance é de 1926 - o princípio ou unidade fundamental da matéria. Conhecendo e captando por antenas semelhantes a teias de aranha tais vibrações, soube o professor calcular os movimentos futuros do éter, ou seja, o estado do mundo e tal ou qual ponto futuro - ou passado. Tais momentos se lhe aparecem num globo chamado de cronoscópio. Tudo isso revela ao apatetado Ayrton, reconhecidamente ignorante, de poucos estudos, modesto caixeiro, porque vê que está perto da morte, tem a necessidade de contar a alguém a sua invenção, que não deixará para a humanidade, e respeita o Acaso, que é como um Deus, e lhe trouxera até ele.
Postado por
mvacker@gmail.com
às
17:59
9 de janeiro de 2008
Ars longa vita brevis
Com as eleiçoes prévias para a escolha dos candidatos a presidente nos EUA, cabe lembrar de novo como a vida imita a arte. Monteiro Lobato escreveu na década de 1920 o romance "O Presidente Negro", estória situada no futuro, e justamente o presidente do título era o dos EUA, no século 23.
A previsão chegou antes; vou ler esse livro de Monteiro Lobato, agora que o negro Obama vai bem nas prévias. Depois escrevo alguma coisa.
A previsão chegou antes; vou ler esse livro de Monteiro Lobato, agora que o negro Obama vai bem nas prévias. Depois escrevo alguma coisa.
Postado por
mvacker@gmail.com
às
17:25
4 de janeiro de 2008
O grifo engripa
Engripado, o grifo agradece a graça
alcançada, com um erro crasso.
alcançada, com um erro crasso.
Postado por
mvacker@gmail.com
às
16:37
13 de dezembro de 2007
Imp(r)ensado
Sem pensar no diz-que-diz (nem me diga),
quis dizer o que viesse, o que me desse na telha;
idéias zunindo - caixa d´abelha.
sai da frente! ninguém segura!
decidi que vai ou racha
nem foi, no final, nem rachou;
não sei bem, no final,
esqueci porque tanta sanha.
quis dizer o que viesse, o que me desse na telha;
idéias zunindo - caixa d´abelha.
sai da frente! ninguém segura!
decidi que vai ou racha
nem foi, no final, nem rachou;
não sei bem, no final,
esqueci porque tanta sanha.
Postado por
mvacker@gmail.com
às
17:09
6 de dezembro de 2007
Teodoro Bimbão
Faz uns 3 anos, escrevi esse texto, à maneira de Guimarães Rosa. O jornalista Ricardo Noblat publicou-o no seu blog, no carnaval de 2005, e agora eu publico de novo aqui.
Amplíloquo e leonídeo, pensaroso e regalantifônico, Teodoro Bimbão tinha respeiteira e audissonância nas bandas de sua loca. Mirada longiferente e bocarrisoso, dito qualquer dele para os outros era ocasião de palestra, que nem sermão de padre ou discurso de prefeito, mas melhor.
Polissilva, aquelas grotas careciam do que há. Mas povo orgulhoso da sabença de conterrâneo porreta, Teodoro Bimbão esse. E o homem desnegava a quem se achegasse, verbivolente, acolhia bem, dizia o tudo.
Logo à volta já se formava platéia, crianças e velhos, e outros abanando a cabeça em concordância; era bom, era de maravilhar mas assim sossegado, sem susto, a voz aboiada do Bimbão enroninava a gente. "Veracente o olhável, meus filhos, nesses morros daí. Horizonte é de longe pra cá. O morro traça a linha, ou o céu?"
Das vezes brincava: "Neníforo palavranço e vocês estarres como se evangelheceres." Tinha prosa e receita quando da conversa macha de homens: "Mulher rideira dá, dadeira ri." Nem nada era só o dizível, que para atravessar um riacho um dia me falou, "transrivasseremos, nós mesmos do lado de lá, Zeninho?", Zeninho sendo meu nome.
Mas também conhecia dias ruins; certa vez, alguém lhe disse, "bom dia", a modo de educação, e Teodoro tardou a responder, voscilante enfim: "Acelitransluceperambitelumidinhe..." como reza ou rosário, coisas assim que perdia o fio de dizer, ia falando sozinho feito curso d´água, seus olhos desviam.
Sem juízo? Que sabe, doutor que é da cidade. Então ficava muitos dias quieto, parado, nem comer comia. Eu, pra mim, Zeninho somente sendo, Bimbão nem não aluava, mas nele o fio da prosa era comprido, feito que se a gente o joga o balde no poço, mas no Bimbão aquele o poço tinha fundo não, e o fio desenrolava e ia se indo...
A ver, se Bimbão a voz não falhasse e fosse falando o fio todo inteiro comprido que desenrolava lá pra dentro dele, o que é que a gente ouvia? Chegava no fim o quê? O doutor sabe? O falável, dele aprendi; no mundo, tudo são modos de dizença, seu Zeninho, avisou Bimbão, no dia em que saí das barrancas da terra boa da gente a caçar horizontes, carece viver. E certo era; era, doutor sabe?
Amplíloquo e leonídeo, pensaroso e regalantifônico, Teodoro Bimbão tinha respeiteira e audissonância nas bandas de sua loca. Mirada longiferente e bocarrisoso, dito qualquer dele para os outros era ocasião de palestra, que nem sermão de padre ou discurso de prefeito, mas melhor.
Polissilva, aquelas grotas careciam do que há. Mas povo orgulhoso da sabença de conterrâneo porreta, Teodoro Bimbão esse. E o homem desnegava a quem se achegasse, verbivolente, acolhia bem, dizia o tudo.
Logo à volta já se formava platéia, crianças e velhos, e outros abanando a cabeça em concordância; era bom, era de maravilhar mas assim sossegado, sem susto, a voz aboiada do Bimbão enroninava a gente. "Veracente o olhável, meus filhos, nesses morros daí. Horizonte é de longe pra cá. O morro traça a linha, ou o céu?"
Das vezes brincava: "Neníforo palavranço e vocês estarres como se evangelheceres." Tinha prosa e receita quando da conversa macha de homens: "Mulher rideira dá, dadeira ri." Nem nada era só o dizível, que para atravessar um riacho um dia me falou, "transrivasseremos, nós mesmos do lado de lá, Zeninho?", Zeninho sendo meu nome.
Mas também conhecia dias ruins; certa vez, alguém lhe disse, "bom dia", a modo de educação, e Teodoro tardou a responder, voscilante enfim: "Acelitransluceperambitelumidinhe..." como reza ou rosário, coisas assim que perdia o fio de dizer, ia falando sozinho feito curso d´água, seus olhos desviam.
Sem juízo? Que sabe, doutor que é da cidade. Então ficava muitos dias quieto, parado, nem comer comia. Eu, pra mim, Zeninho somente sendo, Bimbão nem não aluava, mas nele o fio da prosa era comprido, feito que se a gente o joga o balde no poço, mas no Bimbão aquele o poço tinha fundo não, e o fio desenrolava e ia se indo...
A ver, se Bimbão a voz não falhasse e fosse falando o fio todo inteiro comprido que desenrolava lá pra dentro dele, o que é que a gente ouvia? Chegava no fim o quê? O doutor sabe? O falável, dele aprendi; no mundo, tudo são modos de dizença, seu Zeninho, avisou Bimbão, no dia em que saí das barrancas da terra boa da gente a caçar horizontes, carece viver. E certo era; era, doutor sabe?
Postado por
mvacker@gmail.com
às
12:54
29 de novembro de 2007
Estúpido
Grassa estupidez da grossa na cabeça; minhas idéias são minhocas lerdas, cegas, perdidas numa mente estreita. Estupidez, um bloco grosso impenetrável duma cera, uma coisa mais coisa. Troco meus passos certos, teimosos da certeza cega da estupidez. Vou aqui, ali, volto; estúpido, mais ainda, mergulho na ignorância, na indiferença. Não está escuro? Não ligo, bocejo; já vai passar, decerto, e nem penso mais em nada, o que era para pensar mesmo? Pois não, seu estúpido pacóvio e tardo, nem se dê ao trabalho de olhar ao lado, o óbvio já te escapa, quem sabe o nem tanto. Estúpido, um espanto.
Postado por
mvacker@gmail.com
às
13:42
21 de novembro de 2007
Forma e substância
Existe forma - , ensinava Blutus, o adestrador, ao Grifo, - e existe a substância, sob a forma, incorporada na forma.
- A forma excorpora a substância?, perguntava o Grifo. Sim, de certa forma; Blutus, o adestrador, ficava meio confuso nessas horas, com as perguntas cândidas do Grifo, mas já não usava o chicote, desde que as garras de seu pupilo haviam crescido.
Para arrematar, o Grifo acrescentou - Será então que o pus é a substância da ferida?
Blutus, o adestrador, saiu, como sempre fazia nessas horas, e foi comer um sanduíche dos que trazia em sua sacola; quando era assim, o Grifo aproveitava para brincar entre as árvores.
- A forma excorpora a substância?, perguntava o Grifo. Sim, de certa forma; Blutus, o adestrador, ficava meio confuso nessas horas, com as perguntas cândidas do Grifo, mas já não usava o chicote, desde que as garras de seu pupilo haviam crescido.
Para arrematar, o Grifo acrescentou - Será então que o pus é a substância da ferida?
Blutus, o adestrador, saiu, como sempre fazia nessas horas, e foi comer um sanduíche dos que trazia em sua sacola; quando era assim, o Grifo aproveitava para brincar entre as árvores.
Postado por
mvacker@gmail.com
às
13:29
7 de novembro de 2007
O pior cão do mundo
Eu tive o pior cão do mundo, era um sujeito impaciente, irritadiço, cheio de manias e achaques, mimado, exigente, espaçoso e muito inteligente. Também era capaz dos olhares mais cheios de sentimento que já vi, além de ter um bafo medonho. Foi nosso companheiro mais próximo por doze anos e lá vai; escutou poucas e boas, e disse outras tantas para nós. Eu amei o Bacharel, nós amamos ele lá em casa, e agora penso nele como uma presença. Essa noite escutei ele latir, acordei.
Postado por
mvacker@gmail.com
às
12:34
31 de outubro de 2007
grafomania
Esgrimindo tocos de grafite, esfalfa-se em escrevinhar acrósticos e adivinhar crepúsculos.
Freqüenta as graves diatribes da escola, e escolhe a dedo as palavras gráceis, ou grossas.
Dia desses, sem mais chega um e diz a ele:
- Seu grifo, tu és acadêmico?
- Não sei. Grafo pandêmico?
O grifo e o outro ficaram na mesma.
Freqüenta as graves diatribes da escola, e escolhe a dedo as palavras gráceis, ou grossas.
Dia desses, sem mais chega um e diz a ele:
- Seu grifo, tu és acadêmico?
- Não sei. Grafo pandêmico?
O grifo e o outro ficaram na mesma.
Postado por
mvacker@gmail.com
às
13:55
22 de outubro de 2007
Um diálogo crítico
Ado - Jorge Luis Borges não viu isso...
Hugo - O cara era cego, também...
ouvem-se gargalhadas, um arroto, esterores de risos. Hugo sua muito
Ado - Num certo conto que não lembro criticou o escritor fictício que escrevera não apenas "azul", mas "azulengo" e até "azulillo"...
Hugo - E daí?
Ado - Sei lá.
Hugo - O cara era boiola, o velho!
Ado - Só.
Hugo - O cara era cego, também...
ouvem-se gargalhadas, um arroto, esterores de risos. Hugo sua muito
Ado - Num certo conto que não lembro criticou o escritor fictício que escrevera não apenas "azul", mas "azulengo" e até "azulillo"...
Hugo - E daí?
Ado - Sei lá.
Hugo - O cara era boiola, o velho!
Ado - Só.
Postado por
mvacker@gmail.com
às
17:44
19 de outubro de 2007
Ars brevis
Canto de pássaro
Brilho do cristal
Enigma da gota
Mistério d´agora.
Agouro fora de hora.
Brilho do cristal
Enigma da gota
Mistério d´agora.
Agouro fora de hora.
Postado por
mvacker@gmail.com
às
17:35
Assinar:
Postagens (Atom)