14 de abril de 2013

Entreouvido nas cercanias da rua XV de novembro


" - A remuneração do fator Trabalho superou a do Capital em muito no caso dos grandes bancos, especialmente aqueles grandes bancos da Inglaterra e dos Estados Unidos. Aqueles que quebraram ou quase.
Ou os profissionais do mercado financeiro não são Trabalhadores? Os donos do capital, naquela ocasião, saíram perdendo, e muito."
" - O setor financeiro é o mais dinâmico da economia, hoje..."

Perdi o resto da conversa. Tinha de ir cortar o cabelo, de qualquer jeito. E andava pensando na nossa natureza ondulatória. E nos vazios que existem (?) entre os elétrons. Esse est percipi, como dizia um tio nosso.

12 de abril de 2013

Música de Rua V

Musa errática e uma câmara cambaleante

Na rua XV de Novembro, já tem algum tempo


10 de abril de 2013

Música de Rua IV


Rua XV de Novembro x Praça da Sé. 

1 de abril de 2013

Soja Cáustica



As empresas de alimentos não têm responsabilidade social, isso não é novidade.

Agora, engarrafar soda cáustica e vender como suco de maçã é um pouquinho demais.


Suco HADES
Mas não é, como naqueles anúncios de quinquilharias da TV, não é só isso!!!

Os grandes varejistas estão prontos a enfileirar centenas de embalagens do suco ADES nas suas prateleiras, cortesia da UNILEVER.

Um sujeito da empresa vai ao jornal para dizer que não houve nada, praticamente nada, foram 96 garrafas de soda cáustica postas a venda, apenas; tudo está sob controle, não corram, como diziam os ETs em Marte Ataca.

O jornal Estadão publica que, por um engano, os varejistas estavam tirando o suco HADES das prateleiras, pois o problema tinham sido as apenas 96 embalagens, viram, com soda cáustica. Isso há alguns dias; estavam preparando a volta do produto às prateleiras.

E estão por aí, a venda, milhares de embalagens de suco HADES, não houve nada. Não corram, voltem para suas casas. Estamos sob a mais perfeita narcolepsia, uma lobotomia que não deixa marcas.

E o governo, esse paquiderme velho e carcomido, é um balcão das grandes empresas. A ANVISA foi rigorosíssima, tenho certeza, com a UNILEVER. Mas ela nem sentiu cócegas. Vá eu, incauto, criar porcos, e manter um discreto abatedouro dos gentis suínos na minha casa; afinal, eu acredito na livre iniciativa. A ANVISA será rigorosíssima comigo: eu vou sentir na pele, e no bolso, uma porrada da qual nem me levantarei tão cedo. Se é que um dia me refaço do golpe.

Frutos do mal

Então, meus amigos, continuem debatendo qual é o melhor partido, quem é o fulano que mais se dedica ao povo; no final, o resultado é indiferente, a ação do capital deve continuar. Quem fica reclamando pode ser até diagnosticado, a normalização dos comportamentos tem tido grandes progressos sob as bençãos da indústria farmacêutica.

Há uns anos atrás, um bom número de anos, quando o sistema era mais rudimentar, havia autoridades que se arvoravam a proclamar os benefícios da soja para a alimentação humana; imagine, vendia-se muita soja em grão, desprezando o Valor Agregado. Hoje, a coisa é bem mais sofisticada. Mas o interesse na soja é o mesmo: tem valor de commoditie porque é um grão que nem os ratos têm interesse. Nem sei se os fungos têm. Pode ser armazenada facilmente, durante muito tempo. Pode-se formar um estoque.

28 de fevereiro de 2013

Sombras

Temos todos certa sombra que nos segue, nos persegue, que nasce e renasce em nós. Mas outras sombras são maiores, são persistentes e pairam persistentemente sobre uma cidade, um país, um  mundo. Sob a sua sombra, acostumamos; não as percebemos, perenes como o sol.

Nesses dias muitas delas apareceram, e assustam às vezes. A ocasião de ver.

Nesses dias se matou um rapaz, um homem já feito, assim um pouco mais ou menos da minha idade, meu semelhante; esse homem quando um bebê de 1 ano e 8 meses foi torturado.

Foi submetido a tortura numa repartição pública, no DOPS aqui ao lado, logo ali na Luz, entre os bocejos e o escárnio de uma humanidade abjeta: nós. E isso nunca lhe saiu da alma; nunca terá saído da alma de tantas   pessoas que ali estiveram, que participaram, empenhando nisso algo além de suas forças. Sob a sombra. Vivem até hoje sob a sombra, sem possibilidade de expiação.

Nesses dias,  a Igreja, uma organização antiga, fechada, poderosa e com muito dinheiro, deixou entrever por uma rachadura as lutas internas que tem. O humano, o mundano que compõe o recheio daquelas torres e claustros de paredes impávidas. E o que todos supõem foi dito, mais claramente impossível, pelo ex-Papa,  que desceu do salto: não é divino, mas um miserável sujeito das contingências das disputas mesquinhas de poder, por vezes pérfidas, normalmente impiedosas. Nunca foi cordeiro, mas encarou lobos maiores. Aleluia que se mostrou homem. Mas para reconhecer-se homem ainda faltou, parece; não será dessa vez.

Temos as nossas próprias sombras ainda, e antes de jogar luz sobre elas ainda não veremos a luz sobre essas sombras maiores; não é uma questão de um dever moral exterior. Eu mesmo não exponho aqui as minhas sombras que entrevejo, lançar luz é mais sutil do que a exposição histérica, não sei bem. Mesmo o sol cega. Mas fechar os olhos é que não dá mais.

12 de fevereiro de 2013

O Ex-Papa


A história inevitável é a da renúncia do Papa, gesto inédito. Dizem que o velho Ratzinger (ou Natzinger, segundo o F2)  está cansado, mas o óbvio é - como uma pessoa que se esforçou tanto para conquistar o poder o deixa assim sem mais?
Ahriman, conforme R Steiner
Alías, se pensarmos em termos cristãos, temos de lembrar o que disse o secretário do ex-papa Woytila, o polaco - da cruz não se desce. O ex-papa deveria agradecer os achaques e tocar o barco de Pedro sabe-se lá para onde. Mas não. Renunciou, um gesto no fundo egoísta. Dr Geraldinho lhe enviará certamente um cilício, tecido no vale do Paraíba por senhoras mui santas.

Evidente que, conforme o meu gosto por teorias conspiratórias, e vendo que seria altamente improvável uma renúncia totalmente espontânea do papa, por motivos de saúde, é inevitável concluir que ele "foi saído" do trono papal. 
Tarcísio Bertone
O cardeal Tarcisio Bertone é eminente do Vaticano, desde o Papa anterior, e esteve no centro das denúncias relacionadas a escândalos financeiros, segundo consta ligado a uma loja maçônica, a P2, em um enredo que se adivinha interessante. Notem que mimoso o cardeal italiano, aliás a cara do demônio ou demiurgo Arimã, ou Ahrimam, aquele que conduz a alma à materialidade, e portanto distancia-se das coisas espirituais, segundo o vidente Rudolf Steiner (outro personagem interessante, gerou involuntariamente alguns seguidores que o colocaram num altar). Dir-se-iam irmãos de sangue; dizem que pode ser o próximo Papa.




Alô, quem tirou a foto de monsenhor Bertone em seu melhor ângulo daqui? Mistérios Vaticanos.

13 de janeiro de 2013

La playa

Céu mexido de nuvens - Ubachuva

14 de dezembro de 2012

Carmo



Deus há de ter mais piedade dos coros desafinados, que sofrem; afinal, estão trabalhando ainda mais arduamente para Sua maior glória.

As luzinhas e uma cidade em ruínas


Como criança, gosto das luzinhas da Árvore de Natal, embora desconfie que muitas crianças nem liguem pra isso. Em casa ligo toda noite as luzinhas (ou peço àquela Santa...), mas na rua detesto esses laços, esses festões e as próprias luzinhas exagerando em toda parte. Em público sou rabugento. O velhote Scrooge da história. Em casa, ainda devo gostar de alguma maneira do Natal. Ehh incorrigível.

14 de novembro de 2012

Tempo vai e vem, minha criança



quase já 7 anos

tem meu guia nessa vida

nasceu de surpresa, sem aviso

para virar do avesso meu barraco.

Nem sei mais dizer como era

quanto ele não estava ali, do meu lado,

puxando conversa, caçando assunto,

sem deixar que eu caísse em deriva.

Não delira, Papai, não exagera,

e põe aí a música que eu gosto.

Tá bom, Heitor, tem paciência:

fiquei velho, ainda tenho muito a aprender com você

21 de outubro de 2012

Música de Rua III

Banda de gaita de foles, Brooklin, hoje




10 de outubro de 2012

desabafo murmurado


Esses dias ando irritado com tanta gente a proclamar sua moralidade. Desconfio.
O fato é que um governo popular, minimamente popular, sofreu um golpe. Não foi golpe de morte, mas o sangue atiça os tubarões.
O Judiciário está sendo instrumentalizado neste momento, nestas paragens da impunidade, ao punir exclusiva e unicamente membros desse governo.
Como não estranhar a coincidência? Não se pode, é claro, clamar pela inocência dos corruptos, é aí que está a artimanha do golpe.

E tudo isso entregue de bandeja a uma facção política que nem sequer com a indústria nacional dialoga, no máximo com ruralistas, assassinos e igrejas. Uma facção que fez política de terra arrasada da indústria nacional em tantos setores, que vendeu patrimônio público a preço de banana embolsando mais dinheiro do que a imaginação pode contar.

É para isso que as pessoas batem no peito? Para afastar esse governo popular, minimamente popular, que criou um mecanismo de transmissão de renda para os miseráveis, que funcionou!! Que funciona.

Não tenho dúvida de que alguns meteram a mão em dinheiro do povo. E outros não. Nem quero com isso dizer que, se a prática é geral, deixem para lá. Não. Mas não posso admitir que se venha utilizar a Justiça, os órgãos de imprensa oligopolizados, para tornar inviável um governo minimamente orientado para o povo. E o povo assim está entendendo, vide o resultado das eleições.

A condenação, ouso dizer, será única, veremos no futuro breve; será única, e nessas terras tristes a pilhagem continuará, desde que mais desbragada, desde que não haja esperança de que o Estado possa, mesmo que por alguns momentos, mesmo que de forma mínima, servir ao povo.
O herói do momento não tem sido cantado pela TV

Lembre-se então, sua indignação está sendo utilizada como instrumento, a Justiça do Brasil está sendo utilizada como instrumento, e os beneficiários da ação desses instrumentos serão essas facções que vêem no Estado brasileiro um instrumento de espoliação do povo e do território, que é o que sempre foi. O Inimigo.

Gostaria muito de estar errado, de ver amanhã ou depois que não, que corruptos foram condenados, e assim continuarão a ser, que a pilhagem será enfim contida, que as hienas vão para as jaulas, pela ação firme da nossa Justiça. Porque, quanto aos jornais e demais órgãos de imprensa, nem esperança dá pra ter. Ah, sim, como eu gostaria disto. Mas eu duvido. Eu desconfio, e como dói essa desconfiança.