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17 de março de 2011
15 de março de 2011
O ataque impiedoso do velho rabugento
Eu hoje sou velho e rabugento. Reclamo de tudo e de todos.
Agora vou comprar uma bengala, e assestar vigorosos golpes em tudo o que me aborrece. Minha mulher, aquela santa, terá de ir me resgatar no distrito policial toda vez em que for assaltado dessa fúria que se permite aos velhos. Tudo pode merecer bangalada; como diria qualquer engraçadinho, un coup de canne jamais n´abolira le hasard.
Por exemplo, a mania submissa da pronúncia. Hoje de manhã me irritou. Esse pessoal que tem alergia à língua portuguesa e desanda a falar qualquer palavra estrangeira enrolando a língua, torcendo a boca pra não sujar a palavra gringa, bacana, com as cores desse português brasileiro, chinfrim e mulatinho - como aquele presidente.
E dê-lhe core - fala-se, meus amigos, como o vocábulo latino "cor" com a pronúncia de Piracicaba. Se a gente disser isso a um desses puristas da pronúncia, ele fica triste, ressabiado, a gente estraga o prazer dele falar bonito. Que nem em Piracicaba não, isso nunca. Se fosse 5th Avenue, Faubourg St. Honoré, vá lá...
O pretenso valor social da pronúncia não passa de um manto esfarrapado que esconde a ignorância dos que o usam, pois o importante não é ser adestrado na língua do outro, mas conhecer a sua. Vê se o alemão sabe pronunciar "Pixinguinha", ou o americano; isso não os impede nunca de conhecer tudo a respeito.
Mas o melhor de tudo isso é que achei boa a idéia de descrever a pronúncia conforme aí em cima. Está inaugurado o Dicionário Prosódico do Velho Rabugento, a que me dedicarei com empenho. Um impulso positivo; até passou a vontade de dar bengaladas.
Minha mulher não vai ter de me retirar do distrito, pelo bem da harmonia familiar.
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20:30
5 de março de 2011
Notícias à venda
Qual espaço não está, nos jornais?
Eu ainda leio quase todo dia o Estado de São Paulo. Nem sei porque, o hábito.
Desconfiado, leio. Nem tudo é verdade, muito é distorcido ou filtrado.
O noticiário político, sim. O noticiário de esportes, pode ser, quando tem interesses pesados.
O internacional, sem comentários.
A coluna social, essa virou de opinião. E noticiosa. O tamanho do porre que matou o presidente do TJ, só deu lá.
Agora, mexerem com a previsão do tempo foi demais. Antes do carnaval, nessa sequência de chuvas em São Paulo, inventaram que ia parar de chover. 0% de chuva, é como eles escrevem. Saiu na 6ª, voltaram a repetir no sábado.
Ah, meteorologista erra? Nem tanto; até eu, que não distingo cumulus de cirrus, sabia que ia chover hoje. Meteorologista influencia as decisões das pessoas; o ramo do turismo é altamente interessado na previsão do tempo em um feriadão como esse. Não foi só no estadão, não; o rádio deu a mesmíssima previsão. Parece teoria conspiratória, mas não é; é a lógica do máximo desempenho aplicada às "modernas" empresas de comunicação.
O astrólogo previu a ascenção irresistível de José Serra. Agora, a previsão do tempo. O último território virgem, parece, são os obituários. Será?
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19:00
3 de março de 2011
Bons tempos em que o ouro era de Moscou
Nem tudo é perseguição, como disse um dia o paranóico; assim também as denúncias dos jornais nem sempre são direcionadas a um objetivo oculto: tem pilantra que é pilantra mesmo, e basta.
Onde anda o dinheiro que o PC do B embolsou em sua sesmaria no Governo Federal?
Não é de admirar que estes comunistas estejam se entendendo bem com Ricardo Teixeira, aquele que vai sobreviver, ainda que caquético, ao futebol brasileiro.
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15:11
26 de fevereiro de 2011
Choro Novo
Hoje é dia de fazer um choro novo
em que cantem em coro raivoso
as notas que deixaram de soar
nas requintas da manhã, na praça da matriz;
Que dancem em trejeitos esquálidos
os loucos, os velhos e os tarados;
que passem a uivar os cães
e haja assim como um pressentimento,
uma nuvem escura carregada por um vento
súbito, forte e tempestuoso;
que o choro não seja essa música divertida,
bucólica, alegre, essa nostalgia,
dum tempo que ninguém sabe,
mas a música solar da madrugada,
o silêncio do balanço das taquaras,
contraponto ao rumor das avenidas.
em que cantem em coro raivoso
as notas que deixaram de soar
nas requintas da manhã, na praça da matriz;
Que dancem em trejeitos esquálidos
os loucos, os velhos e os tarados;
que passem a uivar os cães
e haja assim como um pressentimento,
uma nuvem escura carregada por um vento
súbito, forte e tempestuoso;
que o choro não seja essa música divertida,
bucólica, alegre, essa nostalgia,
dum tempo que ninguém sabe,
mas a música solar da madrugada,
o silêncio do balanço das taquaras,
contraponto ao rumor das avenidas.
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21:11
11 de fevereiro de 2011
Por uma manobra nojenta, o governo de S. Paulo quer dar uma montanha de dinheiro público ao consórcio inepto que abriu a cratera na marginal Pinheiros, na obra da Linha Amarela, para tocar a obra da chamada linha Lilás.
Que bom!
Como foi conveniente a "descoberta" de "indícios" de "alguma coisa" na licitação da linha Lilás, nunca esclarecida. Aliás, uma auto-denúncia. Permitiu que, agora, o governo encontrasse a solução luminosa das PPPs.
| Ornato urbano - o colosseum paulistano |
Como foi conveniente a "descoberta" de "indícios" de "alguma coisa" na licitação da linha Lilás, nunca esclarecida. Aliás, uma auto-denúncia. Permitiu que, agora, o governo encontrasse a solução luminosa das PPPs.
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11:17
9 de fevereiro de 2011
Fobia
Fobia
de andar por aí
de conversar no elevador
de dizer o que não devia
da amizade insincera dos corredores
da mesa ao lado
sobretudo dos vizinhos
ah esses sorrisos viciados, abertos a faca
dentes a mostra, nostalgia da mordida
com que nos brindam
de dia e de noite
os importunos cidadãos de bem
que nos acompanham na calçada
que por um acaso nos encontram
que pululam nas ruas dessa cidade
como num deserto, as formigas
cuja presença não consola, são antes pequenos tormentos
atrozes, e nós auscultando
o céu, a procura das aves
ou do esquecimento do mar, mas antes
temos de cumprir um compromisso,
responder uma mensagem, percorrer a rua Direita mais uma vez
mais uma vez torcemos em segredo
por aquelas catástrofes de filmes, por que não agora
um meteoro, um monstro horrendo ou qualquer bestialidade
não anula tudo, não sepulta a cidade de uma vez?
Logo se vê, horrível não é o fim instantâneo
- mas a continuidade desses ritos, desses tipos incessantes,
desses mecanismos de controle que se sucedem
num enjôo duma febre desmemoriada
dessa água muda que não corre de regatos
engarrafadas em corredores desnudos
que se escondem sob a terra
debaixo de trincheiras de metal.
de andar por aí
de conversar no elevador
de dizer o que não devia
da amizade insincera dos corredores
da mesa ao lado
sobretudo dos vizinhos
ah esses sorrisos viciados, abertos a faca
dentes a mostra, nostalgia da mordida
com que nos brindam
de dia e de noite
os importunos cidadãos de bem
que nos acompanham na calçada
que por um acaso nos encontram
que pululam nas ruas dessa cidade
como num deserto, as formigas
cuja presença não consola, são antes pequenos tormentos
atrozes, e nós auscultando
o céu, a procura das aves
ou do esquecimento do mar, mas antes
temos de cumprir um compromisso,
responder uma mensagem, percorrer a rua Direita mais uma vez
mais uma vez torcemos em segredo
por aquelas catástrofes de filmes, por que não agora
um meteoro, um monstro horrendo ou qualquer bestialidade
não anula tudo, não sepulta a cidade de uma vez?
Logo se vê, horrível não é o fim instantâneo
- mas a continuidade desses ritos, desses tipos incessantes,
desses mecanismos de controle que se sucedem
num enjôo duma febre desmemoriada
dessa água muda que não corre de regatos
engarrafadas em corredores desnudos
que se escondem sob a terra
debaixo de trincheiras de metal.
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23:59
7 de fevereiro de 2011
Arquivo antigo
Direto do F2, na época bebê de colo.
E o tio Zezé, com quem faltou conversar muita coisa.
Ao fundo, o tempo e suas pirâmides
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15:34
4 de fevereiro de 2011
O catador de pulga
De vez em quando eu cato pulgas, vício antigo adquirido quando trabalhei com revisão de textos. A gente repara que esse trabalho hoje deve ser um luxo nas redações, e quem escreve tem cada vez menos intimidade com o vernáculo.
O tradutor do Google também deve ser bastante empregado, conforme se vê abaixo:
"O site do jornal Whashington (sic)Post sugeriu que não só o serviço de e-mail foi cortado, como toda a conexão do local. De acordo com a publicação, oficiais desciam as escadas para se encontrar em vez de usar o e-mail e discutir - como normalmente fariam. O site ainda disse que até o serviço de e-mail do BlackBerry do presidente Obama teria sido cortado. Segundo uma fonte ligada ao presidente, parecia "um dia de neve", em que ninguém podia trabalhar direito."
Veja aqui. Os oficiais do texto, em português, devem ser militares graduados. Funcionário é coisa de brasileiro, um pouco sem vergonha, a corrupção, enfim, quem lê as colunas do Jabor deve achar até melhor oficiais, quem sabe a milicagem acaba com essa pouca vergonha.
O tradutor do Google também deve ser bastante empregado, conforme se vê abaixo:
"O site do jornal Whashington (sic)Post sugeriu que não só o serviço de e-mail foi cortado, como toda a conexão do local. De acordo com a publicação, oficiais desciam as escadas para se encontrar em vez de usar o e-mail e discutir - como normalmente fariam. O site ainda disse que até o serviço de e-mail do BlackBerry do presidente Obama teria sido cortado. Segundo uma fonte ligada ao presidente, parecia "um dia de neve", em que ninguém podia trabalhar direito."
Veja aqui. Os oficiais do texto, em português, devem ser militares graduados. Funcionário é coisa de brasileiro, um pouco sem vergonha, a corrupção, enfim, quem lê as colunas do Jabor deve achar até melhor oficiais, quem sabe a milicagem acaba com essa pouca vergonha.
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23:33
31 de janeiro de 2011
A volta da benemérita série
A série preferida do gosto popular Os Clássicos em Pílulas tem o prazer de apresentar, com o patrocínio de Rivotril, Lexotan e Viagra, o inexcedível clássico
Dom Quixote de la Mancha
De tanto ler gibi, saiu de capa e arma de raios por aí.
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12:00
26 de janeiro de 2011
Horário de Verão
Roubaram-nos uma hora do dia, em despacho burocrático, e ninguém se apercebe. Alguns acham o máximo, imaginam que sua canetada moveu os céus.
Hoje estou intolerante com o horário de verão; o Brasil é o único país equatorial que adota este horário, conforme se lê aqui.
Segundo o ONS, autoridade energética, o efeito benéfico do horário de verão no Brasil é evitar a sobrecarga no horário de pico (18hs), porque em termos de economia de energia é irrelevante. Ou seja, a infra estrutura é insuficiente, e o relógio biológico das pessoas que se lasque...
PS - usando uma máquina de tradução do Google, descobrimos após investigações sérias que nos Estados Unidos parece que "horário de verão" é uma máquina de fazer dinheiro. Deve ser por isso que o adotamos.
Hoje estou intolerante com o horário de verão; o Brasil é o único país equatorial que adota este horário, conforme se lê aqui.
| tempus fugientur |
PS - usando uma máquina de tradução do Google, descobrimos após investigações sérias que nos Estados Unidos parece que "horário de verão" é uma máquina de fazer dinheiro. Deve ser por isso que o adotamos.
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23:59
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