4 de setembro de 2008

Palavras ao vento

Jogo para a platéia, palavras ao vento, as mesas dispostas para a assembléia.
No centro, o orador perora e avança; nos cantos, engatam-se furtivas outras danças.
Negócios, arranjos; tudo pode, desde que atendidas as condições do cão;
Jantam bem os homens bons, e depois encomendam pesquisas de opinião.

28 de agosto de 2008

O Grampo e o Grifo

O encontro GR faz o Grifo apreciar o Grampo, este personagem da nossa política, da nossa imprensa. A revista VEJA publica uma estória sobre Grampo deste presidente do Supremo Tribunal, sujeito muito atrevido, asa negra da Nova República. A criação de fatos e sua divulgação é uma técnica que essa revista tem usado, conforme demonstra luis nassif http://projetobr.com.br/web/blog/5. Agora já se fala abertamente em golpe. Crise das instituições, etc e tal, a conversa é manjada.

27 de agosto de 2008

Automóveis

Babamos por carros, são atributos do ser para o idiota consumidor, ou seja, a gente mesmo.
Leio que nos EUA acabou a moda dos SUV, aquelas peruas enormes e agressivas na rua, beberronas. Agora o pessoal quer é carro elétrico, ou híbrido.
Porque é que no Brasil a gente tem de consumir a sucata tecnológica? À indústria interessa que o mercado local continue a consumir, em ritmo louco, aliás, sem ter de mudar as instalações, sem ter de investir nada. E ninguém fura o bloqueio do truste, mercado aberto up on ours.

6 de agosto de 2008

Suspiros e murmúrios

As montanhas da lua suspiram e murmuram.
O mar da tranquilidade.
O oceano do esquecimento.
Uma cortina que treme ao vento,
eu e você, aqui, a que viemos?

17 de julho de 2008

O Ovo

Um sujeito de suspensórios e cabelo escorrido na testa, vejamos, calças largas e barriga mais que razoável; este sujeito, alcunhado Ovo Frito, era o centro do universo. De longe, assim parado numa praça da cidade, via as coisas acontecerem à sua volta, espetáculos que se ofereciam.

Sentia que por sua causa tudo se movia, as folhas das árvores e os cães e os carros. Talvez isso lhe desse aquela satisfação bonachona, de mínimos movimentos.

Certo dia, declarou que era um dos justos que sustentam o mundo, e evitam que Alá fulmine a humanidade ímpia; preocupado, levei-o à tenda dos trancendentalistas; os sábios o examinaram e disseram que havia muita chance de ser mesmo verdade. Fiquei transtornado; nunca mais volto a consultar essa sorte de cambistas do além. Ainda me incomoda a noção de que minha existência depende de alguém como o Ovo Frito.

16 de julho de 2008

O Futuro de uma Ilusão

Artigo interessante no Observatório da Imprensa, questão de fundo no cenário do escândalo atual, o do banco Opportunity (occasio facit furem) (http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=494JDB007).
O caráter ficcional do dinheiro vai ficando claro. Dinheiro é uma crença, um pacto mútuo, um símbolo, uma liguagem que se desgasta; um dispositivo útil que ultrapassou sua finalidade, e foi entronizado.

A derrocada da estratégia dos bancos centrais é o plano geral da derrocada menor do banqueiro Daniel Dantas. Ambos são frutos legítimos de uma mesma ordem econômica, pautada na financeirização global, em que o capitalismo perde suas bases na produção, para fincá-las na especulação.
Veja o caso brasileiro: do total da renda nacional, 70% são rendimentos do capital; 30%, apenas, correspondem aos ganhos dos salários, segundo pesquisa anunciada pelo economista nacionalista Márcio Porchman, do IPEA. Claro, 30% dos salários não são suficientes para remunerar 70% do capital. Este, por isso, descola-se da produção para a especulação. Precisa esquentar dinheiro.

Infelizmente não entendo de economia, mas a circulação de moeda parece ser como a circulação de palavras, baseadas na crença comum do valor. Bens e trabalho estão hoje perdendo o vínculo com a realidade do dinheiro. O capitalismo financeiro tornou-se independente dos bens reais, das coisas. Parece evidente que haverá uma crise em que o caráter ilusório da moeda há de se revelar.

8 de julho de 2008

Leminski

Paulo Leminski
Pulo à Lemingue
sky
abismo mais fundo
o céu

27 de junho de 2008

Hoje o centenário de Guimarães Rosa

Hoje, 27 de junho de 2008, centenário de nascimento de João Guimarães Rosa, o maior escritor do Brasil.
Dia de ler Guimarães Rosa; hoje, e todo dia.

Para quem não tiver um livro à mão, tem Sagarana:

http://www.4shared.com/file/8508849/9edde404/Sagarana_Guimares_Rosa.html

24 de junho de 2008

Medo

Muito mais fácil é a toda hora do medo. Os olhares mudos avisam, inumanos. Controle mútuo, silencioso, eficiente. A racionalidade não pode nada contra o medo, que paralisa.
E todo dia estamos presos a ele, afastamos quem recusa seu golpe de agulha. O medo, a baba bovina do medo, a que Nelson Rodrigues se referiu - "estamos todos esperando o rapa"; estamos mesmo. Qualquer dia nos revoltamos se ele porventura não passar. A gente mesmo passa.

12 de junho de 2008

Grupo GR

Grifo, o grande, agradeçe as graças agradáveis,

e as graves negras íntegras do grupo.

Gravames e vinagres, alegrias e agrados,

jograis gritados por ogros ágrafos.

Angras, gretas na crosta incongruente,

O regresso agridoce dos degredos.

27 de maio de 2008

O barril de Amontillado

É título de um grande conto de Edgar Allan Poe, the cask of Amontillado. Muito bom mesmo; no entanto, até agora não sabia o que é o Amontillado. Aprendi que é um vinho de Jerez, denominação de origem controlada na Europa, e que esses vinhos são diferentes, parece que passam por um processo de destilação. De Jerez vem a denominação sherry.
O Vinho de Jerez é diferente porque, após a fermentação, é adicionado conhaque. Aliás, o destilado de vinho conhecido como conhaque é só um subtipo de brandy produzido na região de Cognac. Aprende-se muitas coisas com a internet.
Vejam, soube também que em Portugal há um brandy com denominação de origem, na cidade de Lourinhã.
E assim, ainda preciso provar desse Amontillado, porque dizer que é um tipo de Vinho de Jerez não quer dizer nada, ou xerez. Justamente, como diz o personagem Fortunato, a quem o narrador atrai inevitavelmente para uma armadilha, "Lucchesi não sabe distinguir Amontillado de sherry." Continuo sem saber o que é Amontillado. Aceita-se doação de garrafas.

26 de maio de 2008

Coiote.

No regrets, Coyote. O som de Joni Mitchell (Hejira) faz lembrar que Roberto Freire morreu, foi por um caminho além dos que conheceu por aqui, e forma tantos. Foi traçar novo Paebiru.
veja
http://www.caminhodepeabiru.com.br/ (clique em "o caminho")